Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ADESÃO
Simulado de evacuação em São Gonçalo envolve mais gente do que a quantidade de possíveis atingidos

Defesa Civil se surpreendeu com a participação da comunidade local

Rodrigo Andrade Publicado em 03/04/2019 - 19h05
Simulado em São Gonçalo mobilizou população - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A população de São Gonçalo do Rio Abaixo se mostrou engajada diante da possibilidade de um rompimento de barragem na cidade vizinha Barão de Cocais. Durante a tarde desta quarta-feira, 3, milhares de pessoas participaram do simulado de evacuação organizado pela Defesa Civil de Minas Gerais. O número foi maior até mesmo que a quantidade de possíveis afetados estipulada pelos órgãos de defesa em caso da estrutura Sul Superior, da Vale, se romper.

Segundo a Defesa Civil, o rompimento da Sul Superior poderia atingir até 2.444 pessoas que residem próximas ao rio Santa Bárbara na sede do município de São Gonçalo do Rio Abaixo e no distrito de Vargem da Lua (veja aqui as áreas de mancha). No entanto, 2.674 habitantes participaram do simulado. O número surpreendeu a organização. Em alguns pontos de encontro, como no adro da Matriz de São Gonçalo, faltaram formulários para colher as opiniões de todos os participantes.

População lotou ponto de encontro sinalizado no adro da Matriz de São Gonçalo, no Centro do município – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

“Foi um sucesso absoluto, atingimos todos os objetivos. E por que desse sucesso? Primeiramente, pelo apoio da Prefeitura Municipal, e isso serve de exemplo para todos os municípios em que formos fazer os simulados. O apoio da Prefeitura é muito importante, principalmente com a decretação de feriado no município. Isso facilita muito as atividades do simulado. Todas as pessoas foram treinadas e foram capacitadas para, em caso de um possível rompimento, saibam quais são seus locais de encontro e quais as rotas de fuga”, comentou o coordenador-adjunto da Defesa Civil, tenente-coronel Flávio Godinho.

Na cidade foram mapeados 13 pontos de encontro. Durante o simulado, o adro da Matriz, no Centro, e o memorial ao Padre João, no bairro Patrimônio foram os locais mais movimentados. Mais de 400 pessoas, entre funcionários da Vale, setores de segurança e voluntários, participaram do treinamento dentro da equipe de organização. A atividade ainda envolveu 70 veículos e dois helicópteros. De acordo com a Defesa Civil, 36 pessoas passaram mal e foram atendidas nos próprios pontos mapeados, sem necessidade de encaminhamento a uma unidade médica.

Tenente-coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil, disse que simulado foi “sucesso absoluto” – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Preocupação

Moradora da rua Monsenhor Torres, no bairro Baixada, a servente Maria Terezinha Oliveira é vizinha do rio Santa Bárbara. Ela afirma que não tem sossego desde a noite de 22 de março, quando as sirenes tocaram em São Gonçalo do Rio Abaixo por um erro da Vale. Por ter vivido o pânico de perto, considerou o simulado algo mais tranquilo, mas, mesmo assim, avaliou a experiência como importante.

“Para quem escutou as sirenes naquela noite, achando que a barragem havia mesmo se rompido, escutar de novo, agora informando que é um simulado, é fichinha. Mas é muito importante, sim, fazer esse tipo de treinamento. Aquela noite nos mostrou que não estávamos nem um pouco preparados”, comenta.

Prefeito Antônio Carlos afirma que simulado leva transparência à população – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A Defesa Civil calcula que São Gonçalo do Rio Abaixo demoraria sete horas e 45 minutos para ser atingida em caso de rompimento em Barão de Cocais. A parte mais densa dos rejeitos não chegariam ao município, mas casas poderiam ser afetadas pela cheia do rio Santa Bárbara. Todo o simulado foi realizado em 46 minutos, o que indica tempo de sobra para uma evacuação tranquila dos moradores.

“Foi um dia atípico para São Gonçalo. Mas, hoje, quem vive abaixo de barragem, infelizmente, tem que conviver com esse tipo de coisa. Eu só tenho a parabenizar e a agradecer a toda população pelo comparecimento. Tanto as reuniões quanto os simulados estiveram lotados. A gente precisa realmente é gerar esclarecimento e segurança à população. Neste momento obscuro pelo qual passa a mineração em Minas Gerais, o que tem de valer é a transparência, e isso foi feito em São Gonçalo”, avaliou o prefeito Antônio Carlos Noronha Bicalho, que acompanhou o simulado no Memorial do Padre João.

Veja como foi parte do simulado em São Gonçalo:

Veja mais fotos do simulado:


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