Sábado, 25 de Maio de 2019
RODOVIA EMPERRADA
Presidente da Acita vê privatização como única alternativa para duplicação da BR-381

Eugênio Müller pede que líderes políticos e empresariais dos municípios se unam em discurso pela concessão da rodovia

Publicado em 14/05/2019 - 00h04
Presidente da Acita, Eugênio Müller, durante reunião de associações comerciais em Itabira - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Associações comerciais da região do Médio Piracicaba se reuniram na noite desta segunda-feira, 13, na sede da Acita, e um dos temas discutidos foi a duplicação da BR-381. Durante o encontro, o presidente da entidade itabirana, Eugênio Müller, defendeu que os municípios se unam em um discurso pela concessão da rodovia à iniciativa privada, tida por ele como a única solução para que a duplicação saia do papel.

“Eu vejo como o único caminho. A gente não tem recursos. Hoje, há de saldo empenhado disponível para a duplicação R$ 186 milhões. O que o Dnit nos falou é que, com esse valor, conseguiriam concluir do trevo de Barão de Cocais ao trevo de Itabira. Faltariam ainda R$ 500 milhões para concluir o lote 7, que vai do trevo de Barão a Caeté, e o lote 3, próximo a Antônio Dias. A obra está orçada em R$ 6 bi, e a gente não consegue R$ 500 milhões? Não tem outra forma, vamos ter que partir para a concessão”, defendeu o presidente da Acita.

Diretores de associações comerciais se reuniram em Itabira – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Para Eugênio Müller, um modelo bem feito de privatização é algo que ajudaria “tremendamente” a região. Ele argumenta que os valores a serem pagos de pedágio compensam os prejuízos com o tempo perdido na rodovia. “A gente não pode conviver mais com essa BR do jeito que está. É uma conta que a gente faz: quanto vale uma hora minha de trabalho? Se eu tiver que pagar R$ 7 reais de pedágio para ir a Belo Horizonte, será que não é mais barato? Tem que ter uma solução, não pode continuar morrendo 180 pessoas por ano. É uma loucura, é irracional. Nós temos que partir para uma solução e, entre o cenário que se apresenta, a concessão é o melhor deles”, disse.

Em meados do mês passado, o governo federal anunciou que a BR-381 está incluída em um pacote de R$ 2 bilhões para obras em rodovias de todo país. O dinheiro seria usado para concluir os lotes 3.1 e 7, únicos com movimentação de trabalhadores em todos 300 quilômetros que se estendem de Governador Valadares a Belo Horizonte. Depois desses trechos concluídos, a estrada seria entregue à iniciativa privada no primeiro semestre do ano que vem dentro do programa de concessão do Ministério dos Transportes.

Trecho próximo ao trevo de Barão de Cocais, na BR-381 – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Ao citar que tem acompanhado alguns movimentos de questionamento à concessão em municípios cortados pela BR-381, Eugênio Müller defendeu que os líderes políticos e empresariais se mantenham em um discurso homogêneo, para não tornar o processo ainda mais complicado.

“Se todas as cidades que dependem da BR-381 não tiverem o mesmo discurso, a obra pode emperrar por questões políticos, e não nos interessa isso. Nós precisamos da obra pronta. É uma luta que a gente já tem há dois anos, mas é uma luta que acredito que a partir do ano que vem terá um cenário mais positivo”, argumentou.


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