Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Mineração
Após rompimentos, Vale vai investir R$ 7,4 bilhões no descomissionamento de barragens

Mineradora divulgou relatório sobre a situação das represas de rejeito e quais medidas serão adotadas pela empresa

Carol Vieira Publicado em 09/06/2019 - 13h24
Foto: REUTERS/Washington Alves/Direitos Reservados

A Vale divulgou um informe na última sexta-feira (7) com as atualizações das ações de gerenciamento de barragens de rejeitos. De acordo com os dados, a empresa vai investir U$ 1,9 bilhão, o equivalente a R$ 7,4 bilhões para acelerar o descomissionamento (encerramento) de 9 barragens de resíduos no estado de Minas Gerais. A ação faz parte da resposta aos rompimentos de barragens ocorridos em Mariana e Brumadinho.

Segundo o comunicado, 2 barragens serão eliminadas em 3 anos, 5 serão transformadas no modelo a jusante, considerado mais seguro, antes do descomissionamento e outras 2 terãol seu fator de segurança elevado dentro de 3 anos antes do encerramento e descaracterização definitiva do uso da estrutura.

Para 2019, a Vale estima despesas de até US$ 200 milhões e cerca de US$ 500 milhões em 2020 no processo de gerenciamento das barragens. Nos próximos anos, a mineradora faz uma projeção de outros mais U$$ 200 milhões.

No informativo, a empresa aponta que desde 2015, após o rompimento da barragem de Fundão da Samarco em Mariana , o segmento de Minério de Ferro da Vale aumentou seus investimentos na gestão das estruturas, como em manutenção, auditorias e revisões dos Planos de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM). Em Mariana, a tragédia destruiu o subdistrito Bento Rodrigues e afetou mais 230 cidades do estado. Foram registrados 19 mortos, além da contaminação do Rio Doce.

O diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, encaminhou junto as atualizações uma carta como resposta às cobranças sobre as informações referentes às barragens de rejeitos operadas pela Vale após o rompimento da barragem do Complexo do Feijão, em Brumadinho. “A Vale está passando por um momento crítico que criou oportunidades para identificar e reafirmar as prioridades da companhia: segurança, pessoas e reparação”, disse na carta. A explosão da estrutura no dia 25 de janeiro deste ano matou mais de 245 pessoas.

Veja o comunicado completo aqui

Barão de Cocais

A barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco pertencente à mineradora Vale, é uma das estruturas que estão em situação de risco. Desde o dia 8 de fevereiro, a barragem está em nível 3 de risco de rompimento, a mais grave classificação feita pela minerado.  Os moradores da cidade, desde então,  vivem a sombra do risco iminente de rompimento da barragem

A situação no município se agravou depois que a mineradora Vale informou, no dia 14 de maio, que um talude na cava da mina de Gongo Soco estava se soltando. O temor, desde então, é de que a estrutura provoque vibrações que causem o rompimento da barragem Sul Superior, que está localizada a 1,5 km da mina. O talude tem se deslocado cada dia mais, chegando a 42 cm/dia.


Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.