Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
CUIDADO
Tratamento multidisciplinar traz mais qualidade de vida a pacientes com Parkinson

No Brasil, cerca de 200 mil pessoas vivem com a doença

Publicado em 27/04/2019 - 08h14
A doença afeta por volta de 1% da população mundial

Tremores, desequilíbrio, rigidez muscular e dificuldade de locomoção. Esses sintomas, comuns aos portadores do Mal de Parkinson, podem ser reduzidos com um tratamento envolvendo diversas áreas terapêuticas. De acordo com a Fisioterapeuta do Grupo São Cristóvão Saúde, Luciane Criado de Oliveira, os exercícios de agilidade, dissociação de tronco, treino de marcha, postura e coordenação motora contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes que convivem com essa doença degenerativa e progressiva.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta por volta de 1% da população mundial. No Brasil, cerca de 200 mil pessoas vivem com Parkinson, sendo que idosos acima dos 70 anos representam 75% dos casos. “Uma vez que a doença não tem cura, o objetivo da fisioterapia é reduzir as limitações de mobilidade dessas pessoas, promovendo maior independência nas AVD’s (Atividades de Vida Diária)”, explica a especialista.

Como funciona o tratamento

A Terapeuta Ocupacional Dayane Sanches de Castro, que atua no Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) do Grupo São Cristóvão Saúde, ressalta que alguns exercícios são importantes para estimular o paciente a se manter ativo e em condições de realizar atividades do dia-a-dia.

“Atividades cotidianas como preparar uma refeição, vestir a roupa ou cuidar do jardim fazem parte do repertório ocupacional e contribuem para manutenção da rotação do tronco, destreza manual, mobilidade geral dos membros superiores e inferiores”, frisa.

A terapeuta explica que tudo isso é realizado em sessões com acompanhamento profissional. “Além dos benefícios para o corpo, a Terapia Ocupacional também visa aumentar a sensação de bem-estar do paciente”, alega.

Segundo ela, as atividades maximizam a independência e autonomia dos pacientes nos diversos contextos de vida diminuindo o impacto da doença no cotidiano do paciente e das pessoas que convivem com ele.

Vivendo com a doença

O Dr. Sergio Butori, Neurologista do Grupo São Cristóvão, explica que a doença ainda não tem uma causa confirmada. “Em pessoas saudáveis, as células produtoras de dopamina (substância responsável por transmitir mensagens entre as células nervosas) morrem lentamente ao longo da vida, mas, no caso de um paciente com Parkinson, a perda dessas células ocorre de forma mais acelerada, afetando sobretudo sua coordenação motora”, conta.

Dessa forma, o diagnóstico da doença de Parkinson é feito por exclusão. “Muitas vezes, recomendamos exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética, análise do líquido espinhal, entre outros. Mas, por fim, o diagnóstico é baseado no histórico clínico do doente e no exame neurológico”, explica o médico.

Ele ressalta a importância de aliar o tratamento, feito com a administração de dopamina sintética, às demais áreas como forma de amenizar os sintomas. As terapias atuam reduzindo o desconforto do paciente e utilizam técnicas de conservação de energia para reduzir a fadiga extrema.

Dayane reforça que, com o avanço da doença, a intervenção é focada na adaptação do ambiente e da rotina para prolongar a independência do paciente. “Isso inclui a adaptação das atividades que requerem o motor fino, com substituição de zíperes e botões por velcro; além da instalação de equipamentos de segurança, como barra de apoio e pontos luminosos nas áreas de circulação; e substituição do mobiliário para facilitar a locomoção pela casa”, fala.

O papel dos familiares

Os especialistas recomendam, ainda, o apoio e envolvimento da família no tratamento, lembrando que o bem-estar do paciente é o principal objetivo.

“Os familiares podem buscar entender mais sobre o Parkinson, verificando de que maneira podem estimular e ajudar o paciente a ter uma vida ativa e dinâmica e evitar complicações como quedas dentro de casa”, exemplifica a Fisioterapeuta.

“Recomendamos sempre, também, que os envolvidos busquem suporte psicológico, o que auxilia o paciente e seus familiares a aceitar a doença e suas implicações”, finaliza Butori.


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