Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Mineração
São Gonçalo do Rio Abaixo reforça vigilância com risco iminente de rompimento de barragem em Barão

Bombeiros já estão de prontidão no município e a Defesa Civil aumenta sua frota, enquanto vereadores se reúnem para cobrar posicionamento da Vale

Publicado em 23/05/2019 - 09h49
Reunião de vereadores para discutir os impactos em São Gonçalo do Rio Abaixo em caso do rompimento de barragem em Barão - Foto Divulgação Câmara

Se a barragem Sul Superior da mina de Gongo Soco em Barão de Cocais se romper, o município vizinho de São Gonçalo do Rio Abaixo será diretamente afetado. A estimativa da Defesa Civil é que pelo menos 2.444 pessoas que estão nas chamadas zonas de salvamento secundárias teriam que deixar suas residências em caso de um desastre envolvendo a estrutura da Vale.

Diante do risco iminente do rompimento, com a queda anunciada do talude na cava da mina prevista para ocorrer até sábado, dia 25, São Gonçalo reforça a vigilância para se preparar para o pior. O Corpo de Bombeiros já se faz presente no município e a Defesa Civil reforçou sua frota. Já os vereadores se reuniram e decidiram cobrar explicações da Vale.

Em um informativo, datado de quarta-feira, dia 22, a Defesa Civil informa que a presença do Corpo de Bombeiros na cidade e o reforço da sua frota são medidas de segurança e precaução. Também ressaltou que a situação é de atenção. Em caso de rompimento da barragem em Barão de Cocais, a mancha de rejeitos levará oito horas para chegar em São Gonçalo do Rio Abaixo.

Vereadores

Também ontem, os vereadores de São Gonçalo participaram da reunião solicitada pela Comissão Especial Temporária formada pelos parlamentares Marcos Antônio Bicalho (presidente), Otávio Isidório Teixeira (relator) e Felipe Silveira da Cunha (secretário). Os vereadores Eloísio Raimundo dos Santos, Renata Maria Guzzo Fonseca e Maria de Lourdes Guedes Barros também estiveram presentes.

Os legisladores querem receber da Vale informações reais dos riscos de rompimento, o motivo da paralisação da empresa no município e qual a situação das barragens. Ao final da reunião, foi redigido um ofício para ser encaminhado para a mineradora, contendo os questionamentos, além de pedidos para que a empresa apresente os laudos de instabilidade das barragens, relatórios de inspeção, e informação de quando será instalado o ponto de apoio no município.

Também foram solicitadas informações de vários outros órgãos. O objetivo dos vereadores é que, de posse destes documentos, eles possam informar a população sobre a real situação no município.

Impacto ambiental  

Um ofício também será encaminhado para a Agência Nacional de Mineração (ANM), solicitando a intervenção do órgão a fim de terem respondidos os questionamentos encaminhados à empresa Vale.Os vereadores questionam o impacto ambiental em São Gonçalo em caso de rompimento da barragem em Barão de Cocais. 

Barragem de Peti

Para a Cemig, os parlamentares questionam se, na hipótese de rompimento da barragem, a represa da hidrelétrica do Peti tem capacidade de comportar todo o volume de rejeitos. Desde que o risco de ruptura da barragem foi elevado ao nível 3, no fim de março, o volume de água da pequena central hidroelétrica foi reduzido para próximo da metade para armazenar a enxurrada de minério se o pior acontecer.

Defesa Civil

Os parlamentares também solicitaram à Defesa Civil Municipal cópia dos documentos, laudos e estudos enviados pela Vale nos últimos quatro meses, referente às barragens. Eles também pedem informações quanto à estrutura do órgão, como número de pessoal, número de veículos, entre outros.

 


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