Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Mineração
Ruptura de talude é certa, mas rompimento de barragem ainda é incógnita, diz Vale sobre Barão de Cocais

Mineradora, Defesa Civil e prefeitura tiveram manhã de preparatórios para o simulado de rompimento de barragem que vai acontecer às 15h deste sábado

Foto: Thamires Lopes/DeFato Online

A Vale e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil realizaram uma reunião na manhã deste sábado, 18 de maio, com moradores de Barão de Cocais. O encontro foi realizado na Universidade Aberta do Brasil (UAB) e contou com a presença do prefeito Décio Geraldo dos Santos (PV), vereadores, membros do Corpo de Bombeiros e da comunidade das áreas de autossalvamento e secundárias.

O gerente de Operação de Mina – Complexo Mariana e Brucutu, Juliano Alves dos Reis, expôs que, em caso de rompimento do talude, todo o material vai ficar contido dentro da cava da mina. “Não tem como precisar qual a porção do talude que vai ceder, se vai ser total, 50%, 30%. É muito difícil fazer esse cálculo. Mas fato é que, se toda massa que vem sendo monitorada romper, a cava tem capacidade de absorver 100% deste volume. A cava tem duas vezes e meia disponível o volume do talude”, informou.

A cava da mina abriga 5 milhões de metros cúbicos de água.

Segundo ele, a preocupação no momento é que o movimento de ruptura cause alguma instabilidade na barragem Sul Superior. “A possibilidade é muito pequena, mas existe”, ponderou Juliano Reis, coordenador do Plano de Atendimento a Emergência de Barragem de Mineração (PAEBM) da Vale em Barão de Cocais.

Já o coordenador adjunto da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, tenente-coronel Flávio Godinho Pereira, informou sobre o simulado que acontecerá na tarde deste sábado. “O treinamento, quanto mais fizermos, melhor será. A gente treina é para que não aconteça. A gente não quer que a barragem venha a romper. Então, se treinarmos uma, duas, três vezes e não acontecer, isso sim é muito bom porque não aconteceu um desastre e as pessoas têm conhecimento [de como proceder em uma situação de emergência]”, declarou.

Na oportunidade, os membros da comunidade tiveram a oportunidade de esclarecer algumas dúvidas. Porém, nem tudo foi respondido e algumas respostas ficaram para depois.

Juliano Reis é coordenador do Plano de Atendimento a Emergência de Barragem de Mineração (PAEBM) da Vale em Barão de Cocais. Foto: Thamires Lopes/DeFato Online

Entenda

A  estrutura na mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, se movimenta 4 cm por dia. A mina pertence ao complexo Mariana-Brucutu. A operação está extinta desde 2016. A distância entre a estrutura com problemas e a Barragem Sul Superior é de 1,5 quilômetro, de acordo com a mineradora.

A Vale informa que tanto a cava de Gongo Soco quanto a barragem Sul Superior são monitoradas 24 horas desde que houve alteração no nível de risco da estrutura de contenção de rejeitos. A barragem Sul Superior está em nível 3 desde 22 de março, mas as comunidades mais próximas, na chamada Zona de Autossalvamento (ZAS), já haviam sido evacuadas preventivamente em 8 de fevereiro, quando o nível foi a 2.

Infográfico feito pela Vale mostra a localização do talude, que está se deslocando e aumenta o risco de rompimento da barragem em Barão de Cocais

 


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