Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
LEGISLATIVO
“Que não façam palanque político disso”, pede vereador em discussão sobre barragens de Itabira

Câmara teve debate sobre segurança de barramentos nesta terça-feira (5) e houve divergência sobre o melhor método de se cobrar informações da Vale

Rodrigo Andrade Publicado em 05/02/2019 - 17h17
Manifestantes protestaram contra mais uma tragédia envolvendo barragens da mineração - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Como não poderia deixar de ser, a situação das barragens de Itabira foi tema da reunião da Câmara de Vereadores nesta terça-feira, 5 de fevereiro, a primeira de 2019. Manifestantes levaram ao plenário uma faixa de protesto contra a tragédia de Brumadinho e os parlamentares cobraram da Vale informações detalhadas sobre as estruturas que abrigam rejeitos na cidade. Em determinado momento do debate, porém, houve divergência sobre o melhor método de escutar a empresa, o que levou o vereador Paulo Sores (PRB) a pedir aos colegas que não façam do tema um “palanque político”.

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A Mesa Diretora colocou em votação dois requerimentos de André Viana (Pode) com convites para que o diretor de Ferrosos Sul da Vale, Silmar Silva, e o gerente das minas de Itabira, Rodrigo Chaves, compareçam à Câmara na semana que vem para tratarem das barragens. Logo depois, porém, Agnaldo Enfermeiro (PRTB) pediu a palavra para reclamar que seu requerimento, com pedido de uma audiência pública, foi ignorado pela Mesa.

Ao perceber os rumos que a discussão tomava, Paulo Soares pediu ponderação aos colegas. “Esta é uma preocupação de todos. As pessoas estão apavoradas em Itabira. Peço que não façam disso um palanque político. Respeitem as pessoas, respeitem as vítimas dessa tragédia”, discursou o ex-presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região.

O presidente Heraldo Noronha (PTB) justificou que o requerimento da audiência pública não foi aceito porque ele indicava que a reunião acontecesse já na sexta-feira da semana que vem, 15 de fevereiro. Segundo o parlamentar, não haveria tempo suficiente para que fossem convidadas todas as pessoas e instituições que o assunto merece.

Mesa Diretora rejeitou pedido inicial de audiência pública – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

O tema continuou sendo debatido no plenário. Weverton Vetão (PSB) afirmou que a intenção não é fazer um palanque político, mas uma discussão política sobre a situação das barragens de Itabira. O socialista citou a entrevista de um engenheiro à TV Bandeirantes, que se recusou a assinar um laudo sobre o alteamento de Itabiruçu, e defendeu que a discussão aborde esse relatório.

Carlin Sacolão (Pode) causou polêmica entre os que acompanhavam a reunião ao dizer que uma audiência pública serviria apenas de “picadeiro” para “pretensos candidatos a vereador”. Para ele, a melhor alternativa seria a formação de uma comitiva para acompanhar in loco os trabalhos nas barragens e buscar informações com a Vale.

Decão da Loteria (PMDB) criticou a Vale. Disse que é um absurdo a empresa esperar a iniciativa de políticos para se pronunciar sobre as barragens de Itabira. Também lamentou que o plano de emergência ainda não tenha sido totalmente colocado em prática nas comunidades mais próximas aos barramentos.

Ao fim do debate, os dois requerimentos de André Viana foram aprovados por unanimidade. Os executivos da Vale serão convidados a irem à Câmara na terça-feira da semana que vem (12). Também ficou definido que Agnaldo Enfermeiro apresentará outro pedido para uma audiência pública sobre o tema. A intenção do vereador é que o encontro aconteça no ginásio poliesportivo, para ter a participação do maior número possível de interessados.


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