Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019
SAÚDE
Projeto prevê simetrização das mamas para pacientes com câncer no SUS

Medida representa mais um importante passo em prol da mulher com câncer de mama

Publicado em 13/12/2018 - 09h11
Em 2016, foram realizadas 10.442 mastectomias e apenas 1.396 reconstruções.

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que garante a cirurgia plástica reparadora de mama no Sistema Único de Saúde (SUS) e nos planos de saúde, para mulheres submetidas ao tratamento do câncer de mama. A medida pode assegurar o procedimento para tornar ambas as mamas simétricas, além da reconstrução das aréolas mamárias. O documento, que agora vai para sanção presidencial, reforça a realização da reconstrução mamária imediatamente após a mastectomia, desde que haja condições técnicas. Quando não for viável, a lei estabelece que a reconstrução seja agendada assim que a mulher atingir as condições clínicas necessárias.

Atualmente, as pacientes já podem fazer a reconstrução mamária na rede pública por direito, graças à Lei 12.802/13, contudo a norma não abrange ambas as mamas. A presidente da Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília (Recomeçar), ONG associada à Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), Joana Jeker afirma que a aprovação do projeto é um avanço no tratamento contra o câncer de mama disponível no SUS. “Há um vazio muito grande na oferta de reconstrução em todo Brasil. Essa lei será uma maneira de sensibilizar os gestores hospitalares a encararem esse assunto de acordo com sua relevância”, disse.

Em 2016, foram realizadas 10.442 mastectomias e apenas 1.396 reconstruções. A Sociedade Brasileira de Mastologia afirma que apenas 20% das 92,5 mil mulheres que fizeram a cirurgia de mastectomia para tratamento do câncer de mama entre os anos de 2008 e 2015 passaram pelo procedimento de reconstrução mamária. A instituição aponta que a reconstrução mamária imediata é viável em cerca de 90% dos casos.

Parte do tratamento

A ação é parte importante do tratamento, inclusive contribuindo para o bem-estar das mulheres que têm suas mamas retiradas no combate ao câncer de mama. Esse foi um dos achados da pesquisa realizada pela FEMAMA, em parceria com o Hospital Moinhos de Vento, a Johnson & Johnson Medical Devices e o instituto Ideafix, lançada este ano. Por exemplo, dentre os entrevistados, 44% identificam sentir-se feminina como principal benefício da cirurgia. Para 28%, a plástica reparadora diminui a sensação de mutilação.

Nesse sentido, Joana Jeker reitera a importância da garantia da simetria entre as mamas. “Após a retirada de uma mama, como aconteceu comigo, mesmo com a reparação, ela não fica do mesmo tamanho que o peito sadio; por isso, essa atualização do texto é fundamental para aumentar a satisfação da paciente”, reforçou.

A médica presidente da FEMAMA, Maira Caleffi, defende que reconstruir a mama deve ser uma escolha da mulher, que pode optar por realizar ou não a cirurgia desde que haja condições clínicas adequadas. “Deve constar em prontuário médico se for o caso da paciente negar a reconstrução, mas caso seja sua vontade realizá-la, este é um direito que precisa ser respeitado e faz parte do tratamento para a superação do câncer, já que impacta em sua imagem corporal e autoestima”, afirma. Segundo Maira, a simetrização das mamas é uma conquista importante para pacientes e o planejamento da cirurgia precisa ser definido caso a caso. “É importante garantir, além da reconstrução da mama operada para retirada do tumor, a intervenção na mama sadia para obter um resultado equilibrado. Para isso, o quadro de cada paciente deve ser analisado com cuidado, para determinar o melhor momento para a reconstrução, esta preferencialmente imediata, e a realização da cirurgia na mama sadia no mesmo ou em outro momento”, conclui.

Sobre a FEMAMA

A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama é uma organização sem fins econômicos que trabalha para reduzir os índices de mortalidade por câncer de mama em todo o Brasil, influenciando políticas públicas para defender direitos de pacientes, ao lado de 74 ONGs de apoio a pacientes associadas em todo o país. A FEMAMA foi a primeira instituição a trazer o Outubro Rosa de forma organizada para o Brasil, em 2008, com ações em diversas cidades, em parceria com ONGs associadas.


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