Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
UM MÊS APÓS BRUMADINHO
“Vale não pode ser demonizada”, defende o presidente da Câmara de Itabira

Fala de Heraldo Noronha gerou reação entre colegas, que voltaram a criticar empresa

Rodrigo Andrade Publicado em 26/02/2019 - 18h25
Presidente da Câmara de Itabira, Heraldo Noronha - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

O presidente da Câmara de Vereadores de Itabira, Heraldo Noronha (PTB), defendeu nesta terça-feira, 26 de fevereiro, que a Vale “não pode ser demonizada” pelo que aconteceu em Brumadinho. O parlamentar argumentou que a cobrança por mais rigor na segurança das barragens é importante e deve acontecer, mas ponderou sobre a importância da empresa para a economia itabirana.

A fala de Heraldo se dá um dia após o rompimento da Barragem I, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, completar o primeiro mês. Até o momento, 176 pessoas foram encontradas mortas e 134 ainda estão desaparecidas, de acordo com números do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Os números de impactados e a insegurança de itabiranos com as estruturas de contensão mantidas pela Vale no município fizeram outros parlamentares reagirem ao posicionamento do presidente.

André Viana (Pode) afirmou que quem se demoniza é a própria empresa. Ele citou o número de mortos no rompimento de Brumadinho, o segundo em três anos em Minas Gerais, e disse não aceitar “discurso de vitimismo” da Vale ou de quem queira defendê-la. “Não podemos tratar como coitada uma gigante presente em seis continentes”, afirmou o parlamentar que também responde pela presidência do Sindicato Metabase e que nessa segunda-feira (25) organizou um movimento crítico à mineradora.

Heraldo e André divergiram sobre como a Vale deve ser tratada após rompimento em Brumadinho – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Agnaldo Enfermeiro (PRTB) e o vice-presidente da Câmara, Reinaldo Lacerda (PHS), acompanharam Viana e endossaram críticas à Vale. Lacerda citou que há condicionantes a serem cumpridas pela empresa em Itabira e pediu aos pares que aprovem um projeto apresentado por ele que torna obrigatória no município a divulgação do plano de emergência das barragens.

Depois de ouvir os demais vereadores, Heraldo reafirmou seu posicionamento. Disse, novamente, que não concorda com a “demonização” e que esse tipo de sentimento atrapalha o desenvolvimento econômico de Itabira. “Que empresário vai se interessar por fazer negócios em uma cidade que demoniza uma empresa como a Vale?”, questionou o presidente, que ainda continuou: “Claro que temos que cobrar com rigor, claro que os erros devem ser cobrados. Mas que se cobre do CPF de quem é o culpado”.

Sugestão para barragens

Na semana passada, durante visita do gerente-executivo da Vale em Itabira, Rodrigo Chaves, o vereador Rodrigo Diguerê (PRTB) sugeriu ao representante da empresa que usasse a vasta extensão de áreas que a mineradora possui no município para construir uma barragem menor, mais segura e mais moderna, longe de moradias, que pudesse aliviar os volumes de Itabiruçu e Pontal.

Nesta terça, em mais uma discussão sobre barragens, o vereador pediu ajuda aos colegas para levar a sugestão adiante.


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