Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ALERTA DE BARRAGENS
Prefeito de São Gonçalo aguarda para cobrar Vale sobre sirenes

Após simulado de evacuação realizado no município, o gestor voltou a demonstrar ressentimento com o toque equivocado do alerta de rompimento no fim do mês passado

Publicado em 04/04/2019 - 16h31
Prefeito de São Gonçalo, Antônio Carlos - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

“O que viveu São Gonçalo no dia 22 foi um pânico de guerra. Eu não desejo isso para nenhum município do país. A nossa população é de bem, um povo ordeiro, que não precisa passar pelo que passou”.

Ao fim do simulado de evacuação de moradores nessa quarta-feira, 3 de abril, o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT), demonstrou que ainda guarda bastante ressentimento da noite do dia 22 de março, quando sirenes de rompimento de barragem foram tocadas por engano no município.

O fato levou o prefeito a encaminhar um Projeto de Lei à Câmara de Vereadores que obriga as mineradoras instaladas em São Gonçalo do Rio Abaixo a manterem no próprio município a central responsável pelo disparo das sirenes, o que hoje é feito em Itabira. Antônio Carlos disse que ainda não falou com a Vale sobre a proposta, mas que chegará o momento de fazer essa cobrança.

“Ainda não conversamos, até porque tinha o simulado nesta semana e todo mundo estava empenhado. O que a gente quer é voltar a conversar, analisar esses pontos todos e mostrar as mudanças necessárias para a melhoria de vida da população de São Gonçalo do Rio Abaixo”, comentou o prefeito, em entrevista a DeFato Online.

Moradores mostraram preocupação com chegada de rejeitos em São Gonçalo do Rio Abaixo – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Simulado tranquilo

As sirenes voltaram a tocar em São Gonçalo do Rio Abaixo na tarde de quarta-feira, mas dessa vez impulsionada por um carro de som que percorreu as ruas da cidade. O município vivenciou um simulado de evacuação com grande participação da comunidade. Pessoas ouvidas pela reportagem contaram que foi tranquilo ouvir o alerta do treinamento, sobretudo por causa do susto passado no fim de março.

“O dia que a sirene tocou por engano, vivemos um simulado real, com todo o medo o desespero. Hoje já estávamos preparados e, quando a gente já espera por algo, encaramos como uma situação mais tranquila”, ponderou a professora Marlene Dias.

Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, no caso de um rompimento da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, a mancha de inundação levaria sete horas e 45 minutos para chegar ao primeiro ponto em São Gonçalo do Rio Abaixo. Todo o simulado foi concluído em 46 minutos.


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