Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
DISCURSO FIRME
No Congresso, André Viana dispara contra Vale e políticos que vivem do “clientelismo” com empresas: “Criminosos”

“Se a Vale é criminosa, não é sozinha. Junto das mãos ensanguentadas destas vítimas estão também as mãos de agentes políticos”, afirmou o vereador de Itabira durante reunião em Brasília

Publicado em 14/02/2019 - 09h43
Vereador André Viana fez discurso firme na Câmara Federal - Foto: Reprodução

O vereador de Itabira e presidente do Sindicato Metabase, André Viana Madeira (Pode), foi um dos políticos que usaram a tribuna da Câmara Federal, em Brasília, nessa quarta-feira, 13 de fevereiro, durante reunião da comissão extraordinária montada para debater o desastre de Brumadinho. Em um discurso forte, o parlamentar atacou a Vale e os agentes políticos que fazem carreira a partir de financiamentos de grandes empresas, o que chamou de “clientelismo”.

“Se a Vale é criminosa, não é sozinha. Junto das mãos ensanguentadas destas vítimas estão também as mãos de agentes políticos: pelo clientelismo com empresas, pelos financiamentos políticos partidários de campanhas milionárias que os impedem de se posicionar com uma legislação severa, mais imponente e com exigências maiores a essas empresas”, afirmou o vereador.

André Viana citou que Itabira vive seus últimos anos de mineração e afirmou que a cidade acompanha fragilizada mais um desastre na mineração, chamado por ele de “crime ambiental” e “acidente coletivo de trabalho”. “Hoje trago aqui a voz de pessoas que não podem mais falar. Em Brumadinho são 300 pessoas sepultadas pela lama, algumas não terão nem a dignidade do momento fúnebre”, disse.

Ao falar da classe política, o vereador/sindicalista criticou que desde 2005 o Congresso coleciona projetos que endurecem a legislação da mineração, todos arquivados. Ele também citou que na época em que municípios lutavam pela mudança na alíquota da Compensação Financeira por Exploração Mineral (Cfem) (veja aqui e aqui) era visível o lobby das grandes empresas nos corredores da Câmara e do Senado.

As críticas de André Viana também se voltaram ao projeto de renovação antecipada da concessão de ferrovias à Vale, entre elas a Vitória-Minas, que corta Itabira e cidades da região. O vereador argumentou que o valor exigido pelo Governo Federal para garantir à empresa mais 30 anos de exploração dos ramais, R$ 4 bilhões, é uma “bagatela” para a mineradora. “Esse dinheiro não está indo para Minas. Está indo para outro estado, em uma contrapartida cruzada que vai beneficiar a própria Vale”, alertou o sindicalista, se dirigindo aos deputados federais mineiros.

“Pedimos medidas que ultrapassem reuniões intermináveis. Cadê as atitudes que vão realmente penalizar os assassinos, que são vários e não só a Vale. São vários os que assassinaram essas pessoas, que mataram centenas de trabalhadores na hora do almoço”, continuou o vereador, em tom firme. “Congresso, posicione! Governo Federal, posicione! Atuem! O povo está cansado de balelas, quer ver atitudes em prol dos mortos desse grande crime que aconteceu em Minas Gerais. Por Itabira e por Minas, pedimos respeito e urgência nas demandas”, finalizou.


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