Sábado, 20 de Julho de 2019
Saúde pública
Monlevadense vai às redes sociais e desabafa sobre a morte do pai: “Foi dengue hemorrágica”

Se confirmado, caso terá sido o terceiro na cidade com óbito

Publicado em 28/04/2019 - 17h12
Família de Juliana- Arquivo pessoal

A cirurgiã-dentista Juliana Hosken usou as redes sociais no último sábado, 27, para desabafar e expressar a sua indignação em relação aos 49 casos de dengue em João Monlevade. Juliana perdeu o pai, Juscelino Tadeu Gonçalves, na quarta-feira, 24, com suspeita de dengue hemorrágica. Ele era professor de matemática do Colégio Kennedy.

No vídeo, Juliana cobra respostas do Poder Público diante do cenário preocupante em que vivem os moradores da cidade à sombra da doença. Na postagem, Juliana afirma ter recebido a confirmação de que o pai faleceu com dengue hemorrágica por meio de “gente de dentro” do hospital. “Eu estou aguardando uma resposta [..] sobre quais ações serão feitas neste momento. Estava procurando repelente […] nas farmácias de João Monlevade e não encontrei”, pontua.

Juliana questiona, na publicação, a falta de transparência do Poder Público em relação aos dados sobre a doença em Monlevade. Segundo ela, a ausência de informação sobre os processos que envolvem a notificação de pacientes com suspeita de dengue dificulta o entendimento dos familiares. “Vocês não estão preparados para lidar com os casos de complicação de dengue. Cadê o carro de fumacê que não passou até agora?”, questiona ela em relação ao Poder Público responsável.

Sem contato

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde de João Monlevade por meio de mensagem pelo aplicativo WhatsApp para repercutir as declarações de Juliana, mas até o momento não houve nenhum retorno.

Desabafo

Além do  comentário, a cirurgiã-dentista chama a atenção para que a população da cidade verifique os locais possíveis para depósito do Aedes Aegypti e ainda sugere a cobrança de multa para casas que facilitam o desenvolvimento do mosquito.

“O brasileiro só funciona quando mexe no bolso ou então morre alguém. Aí morreu o meu pai. Ele não é um caso de dengue hemorrágica, ele é o meu pai.  E agora? Alguém vai trazer meu pai de volta? Ninguém”, lamenta Juliana.

Situação crítica

No sábado, 30 de março, João Monlevade registrou o primeiro óbito por dengue neste ano. A prefeitura informou que a morte foi de uma idosa, que era portadora de lúpus, uma doença autoimune que compromete o sistema imunológico. Segundo a Assessoria de Comunicação, atualmente João Monlevade tem 187 casos suspeitos de dengue e 49 confirmações.

 


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