Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
PARALISAÇÃO
“Momento de apreensão”, diz prefeito de São Gonçalo sobre Brucutu

Mina da Vale terá produção afetada depois de liminar que suspendeu o despejo de rejeitos em barragem localizada em Barão de Cocais

Rodrigo Andrade Publicado em 04/02/2019 - 16h13
Mina de Brucutu tem atividades impactadas por medida judicial - Foto: Divulgação

Uma decisão liminar que suspendeu as atividades da barragem de Laranjeiras, em Barão de Cocais, pegou de surpresa dirigentes da Vale e gestores políticos da região. A medida afeta parte da produção da mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, pois impede o beneficiamento de minério pelo método tradicional, umedecido.

O processo corre em segredo de Justiça. A decisão liminar foi proferida pela 22ª Vara Cível de Belo Horizonte, no âmbito da ação civil pública n° 5013909-51.2019.8.13.0024, movida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPE/MG). De acordo com a Vale, o processo, dentre outras providências, determina que a empresa se abstenha de lançar rejeitos ou praticar qualquer atividade potencialmente capaz de aumentar os riscos das barragens Laranjeiras (Barão de Cocais), Menezes II (Brumadinho), Capitão do Mato (Nova Lima), Dique B, Taquaras (Nova Lima), Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III (todas em Ouro Preto).  

As informações truncadas que circulam desde o fim de semana causam preocupação ao prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT). Procurado por DeFato Online, o gestor, por meio de sua assessoria de comunicação, afirmou que “o momento é de apreensão até que se esclareçam todas as dúvidas”. “Temos que aguardar os posicionamentos. É muito prematuro falar qualquer coisa agora”.

Operações e barragens

De acordo com a Vale, dentre as barragens abrangidas pela ordem judicial, as três nas quais se utilizou a metodologia de alteamento à montante, as barragens Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III, em Ouro Preto, já estavam inoperantes e abrangidas pelo plano de descomissionamento acelerado comunicado no fim do mês passado. As demais estruturas, segundo a mineradora, são convencionais.

A Vale ainda argumenta que as estruturas convencionais têm propósito exclusivo de contenção de sedimentos e não de disposição de rejeitos. A exceção é justamente a barragem de Laranjeiras, que atende Brucutu.

Ainda no fim de semana, a empresa já havia comunicado a desativação da usina cujo as operações resultam em material úmido. Serão mantidas apenas as atividades realizadas na planta de finos, que utiliza o processo a seco. Dessa forma, o rejeito não é despejado em barragens de contenção, mas empilhado em uma área da mineradora.

As adaptações, no entanto, representarão em grande impacto na produção da empresa em uma de suas principais minas no estado. “O impacto estimado da paralisação temporária da barragem de Laranjeiras na mina de Brucutu (complexo de Minas Centrais) é de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano”, anuncia a Vale, em comunicado oficial.

Na mesma nota, a empresa defende que todas as barragens listadas na ação do Ministério Público estão devidamente licenciadas e possuem seus respectivos atestados de estabilidade vigentes. “A Vale entende, assim, que não existe fundamento técnico ou avaliação de risco que justifique uma decisão para suspender a operação de qualquer dessas barragens”, diz trecho da nota. No documento, a mineradora pontua que tentará rever a decisão na Justiça.

Sindicato

Também procurado por DeFato Online, o presidente do Sindicato Metabase de Mariana, Ângelo Eleutério, disse que conversou nesta manhã com o setor de Relações Trabalhistas da Vale. As informações, no entanto, ainda são desencontradas.

Segundo comentou, a Vale volta os esforços para reverter a decisão na Justiça. Caso não consiga, ou esse impasse se prolongue, a empresa terá de adotar medidas para alocar funcionários que ficariam sem funções dentro de Brucutu. “O que nos garantiram é que não haverá demissões. Funcionários seriam realocados em outras instalações, poderiam passar por cursos ou até mesmo haver o layoff (suspensão temporária de contratos). Mas tudo será feito com acompanhamento do sindicato”, disse Ângelo.


Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.