Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
INSEGURANÇA
Manifestantes fecham rodovia em protesto contra barragem da Anglo American

Comunidades vizinhas à estrutura que recebe o rejeito da Mina do Sapo, em Conceição do Mato Dentro, alegam insegurança

Publicado em 30/01/2019 - 14h42
Manifestantes impediram trânsito de veículos da Anglo American - Foto: Internauta via Wpp

Moradores de comunidades vizinhas à Mina do Sapo, da Anglo American, em Conceição do Mato Dentro, se mobilizaram na manhã desta quarta-feira, 30 de janeiro, para pedir segurança com relação à barragem de rejeitos da empresa.  Eles bloquearam a rodovia MG-10 e impediram o prosseguimento de veículos da mineradora.

Os manifestantes tomaram a pista por volta das 5h. Com cartazes e fogo em alguns galhos de árvores, um grupo com pouco mais de dez moradores exigiu a presença de um representante da Anglo American para entregar laudos técnicos emitidos pelos órgãos reguladores. Outra reivindicação é de que a empresa se comprometa a realizar uma reunião com as comunidades para detalhar informações sobre a barragem.

A Polícia Militar foi acionada para monitorar o ponto de manifestação. Segundo o comandante da PM de Conceição do Mato Dentro, tenente Raul, o protesto ocorreu de maneira pacífica. O trânsito para veículos convencionais esteve liberado, enquanto as caminhonetes e ônibus a serviço da Anglo American eram impedidos de continuar o trajeto. A mineradora, porém, adotou um caminho alternativo e evitou o trecho após tomar ciência do movimento.

A manifestação continuou até o fim da manhã e só foi esvaziada com a conversa com representantes da Anglo American. Procurada por DeFato Online, a empresa afirmou que foi proposta a realização de uma reunião com representante dos moradores da região e com autoridades locais para tratar de todas as demandas.

“A Anglo American preza pelo relacionamento com as comunidades vizinhas aos seus empreendimentos e mantém diálogo constante”, diz trecho do posicionamento da mineradora. “A empresa reafirma sua disposição para encontrar soluções consensuais que garantam a segurança e a qualidade de vida dos moradores”, completa.

Barragem

A principal barragem da Anglo América, localizada na região da comunidade do Sapo, tem cerca de 25 milhões de m³ de rejeito de minério de ferro, segundo a empresa. A capacidade, no entanto, é para 51 milhões de m³.

O projeto da terceira fase do Minas-Rio inclui o alteamento da barragem. Ela subiria dos atuais 40 metros para 60 metros. A capacidade da estrutura subiria para 240 milhões de m³ de rejeito de minério de ferro. O planejamento é para que a elevação seja feita pelo método a jusante, diferente das que se romperam em Mariana e Brumadinho.

No fim do ano passado, a mineradora conseguiu a licença de operação para a terceira fase do empreendimento, mas optou por licenciar o alteamento da barragem em outro momento, para dar mais celeridade ao processo, já que as atuais contensões suportam o volume produzido a princípio.

“A Anglo American informa que a barragem de rejeitos do Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro, conta com completo programa de gestão de segurança, o que inclui inspeções diárias, leitura semanal dos instrumentos e inspeções geotécnicas com frequência mínima quinzenal, além de revisões trimestrais realizadas por empresas independentes. Estamos em dia com todas as auditorias que geram as declarações de estabilidade exigidas pela Agência Nacional de Mineração (AMN) e Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM). A barragem foi construída com aterro compactado e seu alteamento está sendo feito pelo método a jusante, considerado o mais seguro e conservador”, encerra a Anglo American, em nota. 

Barragem da Anglo American causa insegurança a moradores de comunidades vizinhas – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

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