Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
BARÃO DE COCAIS
Laudo de consultoria internacional sobre barragem de Gongo Soco só será emitido na quarta-feira

Até o meio da semana, comunidades vizinhas à Barragem Sul Superior terão de continuar hospedados em hotéis ou residências de parentes

Publicado em 11/02/2019 - 09h42
Barragem Sul Superior, de Gongo Soco, em Barão de Cocais, continua em nível 2 de alerta - Foto: Google

Os quase 400 moradores retirados de suas casas na última sexta-feira, 8 de fevereiro, em Barão de Cocais, terão de continuar hospedados em hotéis e residências de parentes pelo menos até a próxima quarta (13). Isso porque a empresa alemã contratada pela Vale para atestar a estabilidade da Barragem Sul Superior pediu até o meio desta semana para emitir o laudo das análises feitas na estrutura nesse domingo (10).

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Enquanto o laudo não for emitido e aceito pelas autoridades fiscalizadoras, a barragem que durante anos recebeu rejeitos de minério de ferro da mina de Gongo Soco continua em nível dois de risco de rompimento, em uma escala que vai de 1 a 3. Significa que a estrutura se encontra em estado de alerta e que é necessário evacuar as pessoas que residem na chamada zona de autossalvamento (ZAS), que seria o perímetro mais atingido em uma eventual ruptura.

No caso de Barão de Cocais, a ZAS envolve, principalmente, as comunidades de Socorro, Tabuleiro, Piteiras e Vila do Gongo. Até o domingo, segundo a Vale, 205 pessoas haviam sido alocadas em hotéis de Barão, Santa Bárbara e Caeté e outras 188 se instalaram em casas de parentes. Ainda permaneciam nas localidades afetadas 31 moradores que se recusaram a deixar suas residências.

As atividades de inspeção da Barragem Sul Superior duraram todo o domingo. Os trabalhos foram executados por uma empresa alemã especialista em análise de estabilidade. Os técnicos eram acompanhados por funcionários da Vale, da Agência Nacional de Mineração (ANM) e Defesa Civil de Minas Gerais.

A mineradora Vale afirma que desde o acionamento das sirenes na madrugada de sexta-feira realiza o monitoramento da barragem de quatro em quatro horas. A empresa sustenta que a evacuação das comunidades foi uma ação de prevenção, determinada pela ANM, após técnicos de uma empresa brasileira se recusarem a atestar a estabilidade da estrutura de barramento.

Moradores tiveram que deixar suas casas em comunidades próximas à Barragem em Barão de Cocais – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Descomissionamento

Segundo o prefeito de Barão de Cocais, Décio Geraldo dos Santos (PV), comunidades localizadas à margem do rio São João, na área urbana do município, foram panfletadas durante o fim de semana. Moradores receberam informações sobre a situação da barragem e foram orientados quanto a um possível transbordo do rio.

O prefeito comentou também ter ido aos hotéis e conversado com os moradores que tiveram de deixar suas residências. Em vídeo postado nas redes sociais, Décio afirma que só permitirá a volta das pessoas às comunidades quando a Vale atestar que não há riscos de rompimento. Ele também declarou que considera o descomissionamento da barragem, ou seja, seu esvaziamento, a melhor solução.

“Nós não vamos descansar enquanto não tiver total segurança das pessoas que lá estão. Talvez a segurança maior que poderíamos dar à população seria o descomissionamento da barragem”, comentou o chefe do Executivo.

Em nota, a Vale pontuou que a barragem Sul Superior é uma das dez estruturas a montante inativas remanescentes que faz parte do plano de aceleração de descaracterização anunciado em Fato Relevante no dia 29 de janeiro de 2019. A referida barragem suportava a produção da mina de Gongo Soco, cuja produção de minério de ferro foi paralisada pela Vale em abril de 2016.

O processo de descomissionamento deve ocorrer ao longo de três anos, segundo a Vale. A mineradora, no entanto, não informou o cronograma desse processo. 


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