Sábado, 21 de Julho de 2018
Juíza cobra que homens saiam em defesa das mulheres: ‘Não basta ser contra a violência, tem que dizer que é’

Entrevista encerrou a campanha “16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher”

Publicado em 11/12/2017 - 13h06

Organizadores da campanha “16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher” reuniram a imprensa na manhã desta segunda-feira, 11 de dezembro, para um balanço das ações promovidas nos últimos dias em Itabira. Durante a entrevista, no Fórum Desembargador Drumond, as mulheres que encabeçaram a campanha deixaram transparecer uma certa frustação quanto ao engajamento dos homens. A juíza Cibele Mourão, por exemplo, cobrou ações mais efetivas do gênero masculino.  

“Não basta ser contra a violência e não bater em mulher. Tem que dizer que é, se posicionar, sair em defesa”, afirmou a juíza. “Acho que é mais um sonho do que frustração. Espero que no ano que vem a gente possa ver movimentos organizados por homens em defesa do fim da violência contra a mulher”, completou, citando casos em outros países onde essa manifestação aconteceu.

A campanha dos 16 Dias de Ativismo, simbolizada pelo laço branco, tem a proposta de conscientizar os homens do papel deles como protagonistas no fim da violência contra as mulheres. A delegada Amanda Machado também lamentou a pouca adesão masculina, mas enfatizou que a campanha foi bem recebida nos ambientes públicos em que atuou, cumprindo o papel a que se propôs.

“A proposta é atingir as pessoas, mostrar que existe uma rede de enfrentamentos e quem são os atores atuantes nessa rede. E a gente atingiu esse objetivo. Tivemos o lançamento com um auditório lotado na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e uma audiência pública com cerca de 150 pessoas na Câmara. Nosso mutirão agendou mais de 90 identidades. Então, o balanço é positivo”, comentou a delegada.

Delegada Amanda Machado e juíza Cibele Mourão estiveram à frente da campanha em Itabira                           Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

“Nova masculinidade”

Representante do Centro de Referência Especializado de Assistência Social, a psicóloga Tatiana Gavazza também comentou sobre o engajamento dos homens na campanha. Para ela, esse posicionamento deve ser espontâneo, acompanhado de um fenômeno que chamou de “nova masculinidade”.

“Creio que está sendo construída essa nova masculinidade, formada por homens mais corajosos, que não se importam em manifestar nessa questão de violência de gênero. Acho que ainda impera muito preconceito, espacialmente entre os próprios homens. Eles ainda enxergam diferente quem assume esse posicionamento. É preciso transitar nesse meio”, disse Tatiana.

Ainda falaram durante a entrevista a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Lena Primo, o promotor Felipe Farias, e a tenente Mirian Furtado, da Patrulha da Violência Doméstica de Itabira.


Tatiana Gavazza defendeu uma “nova masculinidade”                                                                                              Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A opressão em arte

Também foi ponto alto durante o quadro apresentado pelas estudantes da Fide, Ana Bárbara e Isabela, que retratou as formas de opressão sofridas pelas mulheres. A obra “Combustão Social” tem cores fortes e imagens que retratam a violência doméstica, a depressão e o abuso sexual. 


Alunas da Fide expuseram quadro que retrara violência contra a mulher                                                              Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

 


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