Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
SEIS ANOS FECHADO
“Uma cidade com 300 anos não pode perder sua história no tempo”, diz prefeito em reabertura do Museu de Itabira

Após seis anos de portas fechadas, Museu de Itabira volta a ser reaberto, com exposição inédita de Elke Maravilha e homenagem ao primeiro fotógrafo da cidade

Publicado em 30/09/2018 - 14h32
Museu de Itabira foi reaberto - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Fechado por seis anos, o Museu de Itabira foi oficialmente reaberto na noite desse sábado, 29 de setembro, dentro da programação da Semana do Turismo e da Música. Totalmente reformado, o imóvel guarda relíquias que ajudam a contar a história tricentenária do município, especialmente com artefatos antigos da mineração. Outra atração é uma exposição sobre a artista Elke Maravilha, inédita no Brasil, e que permanece em Itabira até janeiro de 2019.

Em breve solenidade, os personagens do ato de reabertura do museu destacaram a importância da preservação da memória de um povo. O prefeito Ronaldo Magalhães afirmou que uma trajetória rica e tão cheia de detalhes como é a de Itabira não pode ficar perdida. “Eu, como prefeito de uma cidade com 300 anos de história, não podia deixar que tudo o que foi construído no passado, se perdesse no tempo”, afirmou.

Museu de Itabira volta a funcionar após seis anos fechado – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A atual administração encontrou o imóvel que abriga o museu, na praça do Centenário, deteriorado. A reforma durou quase um ano e abordou tanto a estrutura quanto a recuperação do acervo. Os trabalhos focaram em vários pontos de madeira, como janelas, esquadrias, e piso, da pintura geral e descupinização do local e o fortalecimento de três pilares com graves avarias. Outro problema identificado foi a troca aleatória do forro original saia-e-camisa do salão principal, por um de madeira comum, ação que descaracterizou o prédio histórico.

“Há mais de um ano estamos trabalhando para resgatar uma memória que estava deixada de lado e foi uma soma de esforços que possibilitou a entrega deste maravilhoso patrimônio à comunidade, que se sentia frustrada com um importante monumento fechado”, destacou José Don Carlos Alves Santos, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo (SMDECTIT). “Acima de tudo é um espaço que vai atrair turistas e mostra o nosso potencial para gerar emprego e renda”, completou.

Homenagem à Elke

Elke Georgievna Grunnupp nasceu na Rússia, mas veio ainda muito nova para o Brasil junto dos pais. A família se instalou em um sítio no distrito de Ipoema, em Itabira, onde a artista, que depois passaria a ser conhecida como Elke Maravilha, viveu parte de sua infância. Roupas extravagantes, adornos exagerados e maquiagens fortes sempre foram suas marcas registradas.

E os itabiranos poderão ver de perto parte do acervo da artistas, expostos pela primeira vez no Brasil desde que Elke faleceu, em 2016. A exposição “Uma Maravilha Itabirana: Elke” mostra roupas, acessórios, objetos pessoais e fotos da artista na parte superior do Museu. As visitações podem ser feitas de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas; sábado, domingo e feriado, das 10h30 às 16h30.

Durante a primeira semana da exposição, entre os dias 1º e 7 de outubro, Francisca Grunnupp, irmã de Elke, guiará os visitantes para detalhar um pouco mais as histórias de cada peça. Presente na abertura do Museu, a organizadora do acervo contou um pouco da relação dos Grunnupp com Itabira e disse que a cidade “sempre foi âncora para família no Brasil”.

“A nossa família começou aqui e a nossa ligação com Itabira vai muito além deste plano. Depois de sua morte, resolvemos dar um sentido ao que ela (Elke) fez e viveu”, justificou Francisca, que fez questão de ressaltar o ineditismo da exposição e a escolha de Itabira para iniciar o circuito.

O primeiro fotógrafo

Outra atração do Museu de Itabira neste período pós-reforma é uma sala em homenagem ao fotógrafo itabirano Miguel Brescia, o primeiro a exercer essa atividade no município. No espaço há fotos antigas da cidade registradas pelo profissional e um comparativo de como está este mesmo cenário atualmente. Também é possível ouvir o fotógrafo em um equipamento multimídia.

Filha de Miguel, Maria do Carmo Brescia Fonseca, agradeceu à homenagem ao pai. Em discurso na solenidade de inauguração, ela defendeu a conservação da memória e dos feitos de personagens do passado. Em clara referência ao que aconteceu recentemente no Rio de Janeiro, com o Museu Nacional, Carminha, como é conhecida, pediu que os governantes locais “não deixe a história de Itabira virar cinzas”.

Agenda cheia

A reabertura do Museu de Itabira foi o ponto alto de uma noite de sábado movimentada na Praça do Centenário. Antes da solenidade, houve palestra com o romancista e ensaísta Rui Mourão, ex-diretor do gigante Museu da Inconfidência (Ouro Preto/MG), na parte inferior do prédio.

Depois da reabertura, os Drummonzinhos se apresentaram no palco montado em frente ao Museu. Logo em seguida, a programação foi encerrada pelo músico Mauro Silva, com a seresta “Itabira ao Luar”. O violinista, conhecido pelo seu trabalho junto ao tradicional espetáculo “Minas ao Luar”, fez os itabiranos dançarem com clássicos do chorinho e da MPB.


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