Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
Brumadinho
Força-tarefa que apura tragédia de Brumadinho recomenda afastamento de diretor-presidente da Vale e mais 13

Ministério Público pede ainda que oito diretores citados, dentre eles Joaquim Toledo e Silmar Magalhães, sejam proibidos de entrar nas instalações da empresa

Publicado em 02/03/2019 - 17h08

Autoridades que trabalham na investigação da tragédia de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, recomendaram à Vale o imediato afastamento do diretor-presidente da mineradora, Fabio Schvartsman, e outros 13 empregados da empresa do exercício de quaisquer funções e atividades no grupo Vale. Segundo noticiou há pouco o colunista Maurício Lima, da “Veja”, a recomendação foi acatada nesta tarde de sábado.

Em 25 de janeiro, a barragem B1 da mina do Córrego do Feijão se rompeu. Até o momento, 186 mortos foram identificados e há 122 pessoas desaparecidas.

Caso a Vale não acatasse a recomendação, a força-tarefa poderia pedir à Justiça a adoção de medidas mais enérgicas, como a prisão das pessoas citadas no documento, que é assinado por integrantes do Ministério Público Federal, do Ministério Público de Minas Gerais, das polícias Federal e Civil e destinado ao Conselho de Administração da Vale.

A força-tarefa pede também que Schvartsman e mais oito dos investigados sejam proibidos de entrar em prédios ou instalações da mineradora. Outra recomendação é para que o corpo de empregados da Vale não compartilhe assuntos de “teor estritamente profissional” com esses investigados. Veja a lista:

  • Fabio Schvartsman – diretor-presidente;
  • Gerd Peter Poppinga – diretor-executivo de Ferrosos e Carvão;
  • Lucio Flávio Gallon Cavalli – diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão;
  • Silmar Magalhães Silva – diretor de operações do Corredor Sudeste;
  • Alexandre de Paula Campanha – gerente executivo de Governança da Geotecnia Corporativa;
  • Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araujo – gerente de Gestão de Estruturas Geotécnicas;
  • Joaquim Pedro de Toledo – gerente executivo de Planejamento e Programação do Corredor Sudeste;
  • Cesar Augusto Paulino Grandchamp – geólogo vinculado à Gerência Executiva de Planejamento e Programação do Corredor Sudeste;
  • Rodrigo Artur Gomes de Melo – gerente Executivo do Complexo Paraopeba.

Para outros cinco funcionários foi recomendado apenas o afastamento das funções no grupo Vale, sem estar expresso o impedimento de entrada no prédio. Veja nomes:

  • Felipe Figueiredo Rocha – vinculado à Gerência de Gestão de Riscos Geotécnicos;
  • Washington Pirete da Silva – engenheiro vinculado à Gerência de Gestão de Riscos Geotécnicos;
  • Renzo Albiero Guimarães Carvalho – gerente de Geotecnia, vinculado à Gerência Executiva de Planejamento e Programação do Corredor Sudeste;
  • Cristina Heloiza da Silva Malheiros – engenheira geotécnica vinculada à Gerência de Geotecnia, Responsável Técnica pela barragem B1;
  • Arthur Bastos Ribeiro – engenheiro geotécnico vinculado à Gerência de Geotecnia.
A recomendação foi entregue em mãos aos advogados do Conselho de Administração da Vale no fim da tarde dessa sexta-feira (2). E, a partir dessa data, a mineradora tem dez dias para dizer se acata ou não as recomendações e apresentar informações relativas as providências a serem adotadas.

Em nota, a diretoria da Vale informou que as recomendações foram encaminhadas ao Conselho de Administração da companhia e que seriam analisadas pelo colegiado, dentro do prazo estabelecido. A mineradora disse, ainda, que coopera permanentemente com as autoridades encarregadas da investigação.

Veja a íntegra da nota da Vale:

“A diretoria da Vale coopera permanentemente com as autoridades encarregadas da investigação, fornecendo absolutamente tudo que lhe é demandado para instruir os procedimentos investigatórios em curso, tendo seus executivos e funcionários se colocado à disposição voluntariamente para prestarem depoimentos com o firme objetivo de auxiliar no esclarecimento das causas do lamentável rompimento da Barragem de Feijão. As reportadas recomendações conjuntas da Força Tarefa e Polícia Federal foram encaminhadas ao Conselho de Administração da companhia e serão analisadas oportunamente pelo colegiado, dentro do prazo estabelecido”.


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