Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Mineração
Estrutura na mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, se movimenta 4 cm por dia

A mina de Gongo Soco pertence ao complexo Mariana-Brucutu. A operação está extinta desde 2016

Publicado em 15/05/2019 - 18h55
Talude é uma das paredes da mina de Gongo Soco - Foto: Divulgação

A movimentação no talude Norte da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, tem causado apreensão na população local. Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, um dos degraus da parede da mina tem se movimentado cerca de quatro centímetros por dia. A situação exige cuidados e manutenção de constante estado de alerta. Além de aumentar a possibilidade de rompimento da barragem, uma vez que a estrutura está em nível máximo de alerta.

“A barragem de Gongo Soco, a Sul Superior, continua no nível 3. A notícia apresentada foi sobre o talude desta cava, que é a modelagem da lavra que foi retirada. Então, este talude está sendo monitorado e foi percebido uma deformação de aproximadamente quatro centímetros. Essa deformação pode causar o rompimento”, comentou o coordenador-adjunto da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Flávio Godinho, durante coletiva de imprensa em Itabira na manhã desta quarta-feira, 15 de maio.

Em Itabira, Flávio Godinho não confirmou se a movimentação do talude é diária. No entanto, em entrevista à Globo Minas, outro integrante da Defesa Civil do estado, tenente Flávio Coelho Fagundes, disse que a estrutura “está se deslocando cerca de quatro centímetros por dia” desde que a Vale identificou a anomalia.

Flávio Godinho afirmou que se houver o rompimento do talude o carreamento será direto para dentro da cava. “Isso implica em algum rompimento de barragem? Em um primeiro momento não, mas ele pode, sim, através de uma vibração, de um pequeno abalo sísmico, fazer com que a barragem Sul Superior, que está a um quilômetro e meio de distância possa ser um gatilho e ela possa ter esse rompimento”, explicou. Na noite de terça-feira (14), foi realizada uma reunião entre Defesa Civil Estadual, Defesa Civil Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e comunidade para tratar sobre o assunto.

Em nota, a Vale afirmou que está avaliando as possibilidades de eventuais impactos sobre a barragem Sul Superior, distante aproximadamente 1,5km da área do talude. “As autoridades competentes foram envolvidas para também avaliarem a situação e, em caso de necessidade, definirem as medidas preventivas a serem tomadas. A cava e a barragem são monitoradas 24h”, diz a mineradora. 

Flávio Godinho disse que pequeno abalo sísmico pode causar rompimento da barragem Sul Superior. Foto: Thamires Lopes/DeFato Online

Memória

A barragem Sul Superior encontra-se em nível 3 de emergência, desde o dia 22 de março. Sua Zona de Autossalvamento (ZAS) foi evacuada, preventivamente, no dia 8 de fevereiro, quando o nível de emergência foi elevado para 2. No total, 443 pessoas e cerca de 3 mil animais foram retirados das ZAS e encontram-se hospedados fora do local.

Foi realizado simulado de evacuação de emergência para as pessoas residentes na Zona de Segurança Secundária (ZSS), no dia 25 de março, tendo 3.626 moradores participado do treinamento. Na época também foram realizadas reuniões com a comunidade para esclarecimentos da situação da barragem e procedimentos a serem adotados em caso de seu rompimento.

A mina de Gongo Soco pertence ao complexo Mariana-Brucutu. A operação está extinta desde 2016.

Mapa mostra proximidade entre Gongo Soco e barragem Sul Superior – Foto: Google Maps


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