Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
Investigação
Esquema de desvio e venda ilegal de ouro é descoberto em Santa Bárbara

Operação Quimera resultou em 21 prisões, diversas apreensões de materiais e bloqueios de bens

Publicado em 05/07/2018 - 17h38

A Polícia Civil de Santa Bárbara ainda trabalha para fechar os inquéritos da megaoperação Quimera, deflagrada nessa quarta-feira, 4 de julho, e colocou o município e as vizinhas Barão de Cocais, João Monlevade e a capital Belo Horizonte em destaque na mídia. Foram 21 presos, acusados de envolvimento em um esquema de desvio de ouro bruto à mineradoras da região. Três investigados ainda estão foragidos.

As investigações partiram de denúncias das mineradoras AngloGold Ashanti e Jaguar Mining. Os levantamentos apontaram que as empresas estavam sendo lesadas desde 2016, inclusive com a participação de funcionários. O ouro bruto era extraído direto dos complexos minerários e desviado antes da triagem e homologação.

Segundo o delegado de Santa Bárbara, Domiciano Neto, responsável pelas investigações, o material desviado era utilizado como matéria prima para a produção de joias, que eram vendidas em joalherias do estado. Atualmente a grama do ouro vale R$ 156 no Brasil.

“As investigações começaram no início deste ano. Essa organização era muito bem-equipada e tinha informações privilegiadas sobre as áreas sensíveis das empresas, ou seja, onde ficava o ouro. Essas mineradoras têm um sistema de segurança muito grande, com bloqueios, vigilância, alarmes e segurança armada. Mesmo assim, os criminosos conseguiam burlar o sistema e cometer os roubos. Eles tinham diversos núcleos de atuação”, contou o delegado à imprensa.

Foram apreendidos 23 veículos, rádios comunicadores, R$ 43 mil em dinheiro, equipamentos utilizados na apuração do ouro e uma sacola com dezenas de pepitas que possuem de 90% a 95% de pureza. Além das prisões e apreensões de materiais, a polícia também bloqueou os bens dos suspeitos.

Outros crimes

Além do desvio do ouro, outro crime que os envolvidos também são acusados é o de lavagem de dinheiro. De acordo com informações do delegado, os receptores do material realizavam com frequência grandes transações, investimentos em imóveis e carros de luxo.
Alguns dos presos na operação já possuíam passagem pela polícia por tráfico de drogas.

Posicionamento

Por meio de nota, as mineradoras comentaram o acontecido. “A AngloGold Ashanti confirma a Polícia Civil de Minas Gerais executou uma ação na sua portaria da Unidade de Córrego do Sítio, em Santa Bárbara. A ação envolveu a prisão de suspeitos, entre os quais empregados da empresa. A AngloGold Ashanti reafirma seu compromisso com a ética e a legislação, baseada em seus valores e princípios, conforme preconizado em seu Código de Ética e Conduta”, escreveu a empresa”, escreveu a mineradora.

Já a Jaguar Mining, que tem sede em Belo Horizonte, informou apenas que está acompanhando os desdobramentos e colaborando com as investigações.

Detalhes sobre o valor roubado e sobre como eram cometidos o roubo não serão repassados pela Polícia Civil por questões de segurança.


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