Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
9 DE OUTUBRO
Em momento decisivo de sua história, Itabira completa 170 anos

Cidade marca o tempo para fim da mineração, enquanto procura alternativas para não passar dificuldades sem ela

Rodrigo Andrade/Anna Gonçalves Publicado em 09/10/2018 - 09h28
Vista da saída de Itabira para Nova Era. Cidade busca novas horizontes para se desenvolver - Foto: Siella

Itabira completa 170 anos de emancipação política nesta terça-feira, 9 de outubro. E, a exemplo do que vivia lá atrás, quando foi assinado o decreto que transformou a então vila de Itabira do Mato Dentro em cidade, no ano de 1948, o município vive uma fase decisiva em sua história. Se naquela época a população vivenciava a mudança da exploração do ouro para o minério de ferro, hoje a discussão é justamente em torno do fim da mineração.

O alarme foi soado em junho, quando a Vale informou, em um documento direcionado à bolsa de valores de Nova York, que as minas de Itabira se exaurem em 10 anos. A notícia pegou a cidade de surpresa. Até então, o fim da mineração era tratado localmente como algo que certamente aconteceria, mas nunca mencionado com uma precisão tão exata. Ainda mais em um período tão curto.

Prefeito de Itabira pela segunda vez, Ronaldo Magalhães (PTB), disse à época do anúncio que manteria “diálogo firme” com a Vale. Ele foi ao Rio de Janeiro, se reuniu com diretores da empresa, e acordou a formação de um grupo de trabalho, com representantes do município e da mineradora, para discussão de medidas compensatórias e estratégias.

Governo municipal e Vale discutem o fim da mineração – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Por outro lado, a Vale afirma que não sairá de Itabira. Nas palavras do gerente das minas da cidade, Rodrigo Chaves, a empresa continuará na cidade, beneficiando minério extraído em outras unidades do Quadrilátero Ferrífero. Isso porque a companhia investiu muito dinheiro nas usinas instaladas nas minas Conceição e Cauê, usadas, atualmente, para aproveitar o itabirito com menor teor de ferro.

Apesar dessa posição da Vale, de se manter em Itabira mesmo após a desativação das minas, a arrecadação do município, hoje superior a R$ 500 milhões no ano, despencaria, sobretudo pela perda da parte grossa da Compensação Financeira por Exploração de Recursos Minerais (Cfem). Já com esse horizonte em vista, o governo atual enxerga no dinheiro chinês uma boa alternativa para impulsionar a diversificação econômica.

Itabira e China conversam há cerca de um ano, por intermédio do engenheiro itabirano Kleber Guerra, que atua como consultor para empresas do país mais populoso do planeta. Ronaldo Magalhães e secretários viajam na próxima sexta-feira, 12 de outubro, para a Ásia, onde terá extensa agenda com empresas e agências governamentais chinesas. O objetivo é retornar com acordos que garantam a finalização do campus local da Unifei, a construção de um Parque Científico Tecnológico e até um aeroporto industrial.

Unifei é balizadora para novo perfil econômico da cidade – Foto: DeFato

Uma história que nasceu da extração do ouro, passou para o minério de ferro e que agora pode ganhar novo fôlego com a indústria da tecnologia.

“Itabira tem que criar um divisor de águas, sair de ser uma cidade estruturada para a mineração e partir para ser uma cidade que gere conhecimento e produza alta tecnologia para o mundo todo. A gente tem que ver, no lugar de detonação e de extração mineral, uma cidade de produção de bens de alta tecnologia para a sociedade”, defende o engenheiro Kléber Guerra, articulador dos contatos entre Itabira e China.

O prefeito Ronaldo Magalhães deverá conceder entrevista coletiva na próxima quinta-feira, 11, para dar mais informações sobre sua missão na China. Nesta terça-feira, data do aniversário de emancipação, não haverá nenhuma programação oficial organizada pelo governo municipal.

Presentes para Itabira

Em função deste 9 de outubro, DeFato Online foi às ruas perguntar a itabiranos quais presentes dariam à cidade. Mesmo em poucas palavras, os desejos, variados, apontam desejos de desenvolvimentos do município. Confira!

Bianca Nicole Fernandes Oliveira – 18 anos

“Se eu pudesse dar algum presente pra Itabira seria mais verbas para investir e melhorar a saúde”

Maria Cecília – 21 anos

“Gostaria que Itabira tivesse mais opções de lazer. Nós, jovens, acabamos procurando em outros lugares porque aqui não tem”

Rayane Silva – 19 anos

“Eu daria cultura para Itabira. Uns anos atrás a gente até teve, mas nos dias atuais a gente não tem tanto assim mais e precisamos para o reconhecimento dos artistas daqui”.

Edilson Campos – 70 anos

“Eu ofereceria mais emprego e oportunidades para a população”


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