Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
BARÃO DE COCAIS
Defesa Civil prevê dias de poucas novidades sobre talude em Gongo Soco

Foi reforçado que movimento do maciço tende para um assentamento mais tranquilo para dentro da cava

Publicado em 29/05/2019 - 20h15
Major Pereira, da Defesa Civil, mostra o talude em Gongo Soco - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Em entrevista à imprensa nesta quarta-feira, 29, o superintendente de Gestão de Riscos de Desastres da Defesa Civil de Minas Gerais, major Marcos Afonso Pereira, disse esperar que os próximos dias não tenham tantas novidades sobre o talude que se desloca na mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais. Ele reafirmou que a movimentação registrada nos últimos dias indica um assentamento mais tranquilo do maciço no fundo da cava, sem impactos na barragem Sul Superior, da Vale.

Vale planeja desviar rejeito em caso de barragem se romper

“O que os geotécnicos falam é que haverá um momento em que ele poderá se desprender. Mas é impreciso a gente especular se vai demorar uma semana ou duas semanas. É um processo lento, o que indica para a gente que vamos ter esta próxima semana de pouca mudança no cenário. Deve mudar pouca coisa nos próximos dias”, comentou o major.

Pela última atualização da Agência Nacional de Mineração (ANM), a velocidade média de deformação do talude é de 22,6 centímetros por dia. Na parte mais próxima da base, a velocidade atinge 26,5 cm/dia, o que indicou à Vale o cenário do deslizamento. Do topo do talude ao início da água são 62 metros. Já a camada de água tem 50 metros de profundidade, o suficiente, segundo a Defesa Civil, para comportar em duas vezes e meia todo o volume do maciço que se desloca.

O superintendente defendeu que o cenário que se desenha atualmente torna incerto qualquer previsão do completo deslocamento, como já tentou fazer a Vale anteriormente. Ele também disse que não possível acelerar esse movimento. Primeiro, porque ninguém pode entrar na área. E segundo porque haveria um risco da operação sair do controle e, aí sim, provocar um impacto na barragem.

“As previsões não são científicas. O que eles fizeram foi tentar calcular uma aceleração média e chegar a um resultado do que seria o nível crítico. Mas acredito que a mudança de comportamento desse maciço, pendendo mais para o assentamento, acabou quebrando a previsão. Então, qualquer previsão que a gente faça, sem nenhuma técnica adequada, seria ineficiente nesse cenário”, diz o superintende.


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