Quarta-feira, 20 de Março de 2019
CULTURA
Coral Lírico de Minas Gerais é patrimônio cultural do Estado

Grupo completa 40 anos e se equipara à Orquestra Sinfônica, ambos corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado.

Publicado em 09/01/2019 - 17h42
Coral Lírico de Minas Gerais em apresentação na Assembleia Legislativa - Foto: Flávia Bernardo

Prestes a completar 40 anos, o Coral Lírico de Minas Gerais ganha de presente o status de patrimônio histórico e cultural do Estado. É o que determina a Lei 23.246, de 2019, sancionada pelo governador Romeu Zema Neto e publicada no Diário Oficial do Estado na edição do último sábado (5/1/19).

A norma é originária do Projeto de Lei (PL) 5.453/18, do deputado Bosco (Avante), e tramitou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ao longo de 2018, transformando-se depois na Proposição de Lei 24.189.

A nova lei altera a Lei 20.628, de 2013, que declara patrimônio histórico e cultural do Estado a Orquestra Sinfônica do Estado de Minas Gerais, estendendo a declaração ao Coral Lírico de Minas Gerais, ambos corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura.

Com a mudança, a ementa da Lei 20.628, de 2013, passa a ser: “Declara patrimônio histórico e cultural do Estado a Orquestra Sinfônica do Estado de Minas Gerais e o Coral Lírico de Minas Gerais”.

Em sua justificativa, o autor do projeto de lei que deu origem à norma afirma que “é importante citar o compromisso do grupo com o patrimônio musical histórico, através do resgate, salvaguarda e disseminação de obras de compositores mineiros e brasileiros, ao se promover peças do Período Colonial, Romantismo e Modernismo Brasileiros”.

E acrescenta que “o Coral Lírico de Minas Gerais é um patrimônio do povo mineiro e a tradição do canto coral é sabidamente antiga no Estado, remontando à época colonial”. “Como único coro profissional de Minas Gerais, este acaba por ser a consolidação e representação maior de tais tradições”, aponta Bosco.

O parlamentar aponta ainda que a longa e rica história do Coral Lírico testemunha a sua importância no cenário cultural brasileiro e consolida-o como expressivo instrumento para a democratização das artes, sendo também uma poderosa vitrine para as políticas culturais do Estado.

Grupo estreou junto com a Fundação Clóvis Salgado

O Coral Lírico de Minas Gerais foi criado pelo Decreto 14.916, de 1972, que aprovou o Estatuto da Fundação Palácio das Artes. A norma previa que as instituições complementares criadas, entre elas “o Corpo Coral”, seriam implantadas e estruturadas de forma progressiva, juntamente com a conclusão das instalações do Palácio das Artes.

A estreia oficial do grupo com sua denominação definitiva deu-se em 17 de abril de 1979, mesmo ano em que a Fundação Palácio das Artes passa a se chamar Fundação Clóvis Salgado.

Regentes – O Coral Lírico de Minas Gerais teve primeiramente à sua frente o maestro Luiz Aguiar. Posteriormente, como regentes titulares atuaram Marcos Thadeu Miranda Gomes, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Márcio Miranda Pontes, Eliane Fajioli, Sílvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Lincoln Andrade e vários maestros convidados. Atualmente é regido pela maestrina Lara Tanaka. Seu quadro funcional conta, hoje, com 55 membros efetivos e 12 contratados.

Individualmente, o coral vem atuando nas séries Lírico Sacro, Lírico no Museu, Lírico em Concerto e Sarau ao Meio Dia, executando coros de ópera, repertório coral sacro e secular, com acompanhamento de piano ou a capella. Junto a outros grupos artísticos, a parceria mais constante se dá com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais nas produções do Palácio das Artes, sendo o único coro em Minas Gerais que mantém uma agenda anual de óperas. Também se apresenta com a Cia. de Dança Palácio das Artes.

Contemporaneidade – Nos últimos anos, o coral tem procurado ampliar seu compromisso com a contemporaneidade, buscando novas linguagens e formas de atuação nas artes. O grupo atua ainda na série “Jovens Solistas de Minas Gerais” e mostra-se comprometido em valorizar a arte popular e regional, a exemplo de sua atuação conjunta com grandes expoentes da música brasileira e mundial, como Milton Nascimento, Bibi Ferreira e Andrea Bocceli, entre outros.

Com uma programação variada, utilização de diversos espaços de apresentação (auditórios, praças, parques, museus, igrejas) e horários distintos, pela prática de concertos gratuitos e a preços populares, o coral acaba por atuar diretamente na formação de novos públicos e na acessibilidade às artes.


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