Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
Mineração
Comitê popular discute condições da mineração e estabilidade de barragens em Itabira

O grupo, que pretende realizar reuniões periódicas, não tem como proposta atacar a mineradora, e sim obter respostas de forma transparente e direta sobre os riscos e as condições de se minerar no município

Carol Vieira Publicado em 11/02/2019 - 16h45
Fotos: Mário de Brito

Com o objetivo de promover o diálogo sobre os efeitos da mineração em Itabira, líderes comunitários e sociais criaram o Comitê Popular em Defesa da Comunidade Itabirana aos Problemas da Mineração. Diante do cenário de alerta nas cidades mineradoras após a tragédia em Mariana, Brumadinho e o risco em Barão de Cocais, cerca de 70 interessados estão envolvidos na construção de pautas relevantes para serem entregues à Vale e ao poder público.

De acordo com um dos incentivadores da proposta, Leonardo Fontes, a melhor forma para conversar sobre as barragens da cidade, prejuízos e ações de reparação é por meio do comitê popular e comunitário. “Sentimos a necessidade de esclarecimento. Imagina se acontece um estouro de barragem aqui em Itabira, como a Itabiruçu? Estamos falando da destruição de bairros extremamente populosos, como o Gabiroba”, explica.

O grupo, que pretende realizar reuniões periódicas, não tem como proposta atacar a mineradora, e sim obter respostas de forma transparente e direta sobre os riscos e as condições de se minerar no município.

Fotos: Mário de Brito

Para a professora Maria José Araújo, a ideia é resultado de um desejo de longa data. Moradora de Itabira há 40 anos, sempre questionou a ausência de movimentos que conversassem de forma clara sobre os riscos das barragens para as pessoas. “Eu nunca vi ninguém se preocupar em criar algum movimento em defesa da população que está em área de risco, na mancha da lama. Ajudar a reivindicar nossos direitos e informar as pessoas que estão nessa área de risco sobre o problema”, conta a moradora da Vila Conceição.

Em 2015, os moradores da Vila Conceição participaram de uma reunião com a Vale a respeito das barragens próximas às residências, porém nenhuma ação foi desenvolvida com a comunidade, afirma a professora. “Já tivemos uma conversa com a Vale para explicar o que é barragem, quantas têm, mas não tivemos treinamento de fuga. Não sabemos o som das sirenes caso elas toquem. Moramos em uma vila simples e estamos abaixo de três barragens”, ressalta.

Após o rompimento da barragem em Brumadinho, o prefeito de Itabira, Ronaldo Magalhães, e o presidente do sindicato Metabase, André Viana, entraram em negociação com a Vale e a mineradora tem planos para realizar ainda este ano um Plano de Emergência para as barragens da cidade, incluindo a Itabiruçu.

Primeira reunião do Comitê

O primeiro encontro do grupo aconteceu na última sexta-feira, 8 de fevereiro, às 19h na casa de Maria José. De forma produtiva, comunidade e líderes comunitários conversaram sobre questões urgentes, como plano de contingência e a melhora na relação de negociação entre Vale e População. Ficou estipulado que na próxima reunião, no dia 20 de fevereiro, será criado o documento com levantamento dessas questões para ser entre ao ministério Público a fim de acionar-lo para possíveis soluções.


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