Sábado, 20 de Julho de 2019
POLÊMICA
Com ânimos exaltados, Câmara aprova realização de audiência pública sobre barragens da Vale

Houve bate-boca, troca de acusações e quase vias de fato entre vereador e produtor cultural que xingava os parlamentares

Publicado em 12/02/2019 - 18h26

As discussões a respeito da segurança das barragens da mineradora Vale em Itabira continuam na Câmara de Vereadores de Itabira. E com ânimos exaltados. Nesta terça-feira, 12 de fevereiro, a reunião do Legislativo foi palco de um intenso e afiado bate-boca entre vereadores e cidadãos.

Um requerimento de autoria do vereador Agnaldo Enfermeiro (PRTB), que solicita a realização de uma audiência pública entre Vale e população sobre as condições atuais das barragens e planos de contingência no município, foi apresentado e aprovado na Casa. O documento, no entanto, serviu de pano de fundo para uma discussão ríspida. 

Com nove votos favoráveis e sete ausências, a solicitação ganhou parecer positivo, mas causou confusão no plenário. Populares, reivindicando urgência no diálogo com a mineradora, interromperam as explanações dos políticos e exigiram atenção quanto a proteção dos itabiranos que moram em áreas próximas às barragens. Até mesmo a Polícia Militar foi acionada.

Militares foram acionados a fim de acalmar os ânimos no local

A previsão para a realização do encontro é de 60 dias, isso para que os participantes possam levantar informações e para que seja estudado um local seguro e apropriado a receber os itabiranos. A intenção é que a audiência reúna grande quantidade de pessoas. “Eu entendo o desespero dessas pessoas que estão próximas de barragens. Elas ficam apreensivas, com razão. Estão passando por um período de medo, frustrações e ausência de respostas. Esse prazo para realizarmos a reunião é o ideal. Acredito que dentro de 60 dias vamos encontrar as pessoas mais tranquilas e aí com certeza fazemos essa audiência pública para encontrar o equilíbrio e os interesses da população”, disse Agnaldo Enfermeiro.

Em determinado momento da reunião, quando o vereador Paulo Soares (PRB) discursava, uma mulher entrou no ambiente destinado aos parlamentares. Exaltada, ela xingava os políticos itabiranos. Depois, uma nova confusão se formou quando outro cidadão, o produtor cultural Marcelino de Castro, criticou os vereadores que trabalham na Vale. Ronaldo Capoeira (PV), um dos parlamentares que atuam na mineradora, tomou as dores. Por pouco a discussão não acabou em vias de fato.  

Quando retornou ao plenário, Ronaldo Capoeira afirmou que o fato de ser funcionário da Vale não o torna indiferente à tragédia de Brumadinho. Ao comentar o momento de exaltação, disse que “vereador também é humano” e que nem ele e nem os colegas que trabalham na mineradora são culpados pelo rompimento da barragem que já matou mais de 160 pessoas. Além do pevista, Carlin Filho (Pode), André Viana (Pode), Paulo Soares e o presidente da Câmara, Heraldo Noronha (PTB), integram o quadro da empresa.

O presidente da Casa, Heraldo Noronha, comentou sobre o clima hostil da reunião. “Foi uma reunião tumultuada, é o nervosismo pela situação das barragens. As pessoas têm razão de estarem nervosas, porque a Vale infelizmente está pecando quanto à veiculação de informações. Aprovamos a audiência, mas ainda penso que de imediato não é o momento. O povo está com os nervos à flor da pele. Também de nada adianta convocar uma reunião se não tivermos pessoas que realmente entendam sobre o assunto”, finalizou, defendendo um prazo maior para a realização da audiência.


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