Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
TRANSTORNOS
Casal quer processar Vale por ter festa de casamento interrompida após toque equivocado de sirene

Mesmo sem a comemoração como planejaram, o casal teve de arcar com todos os custos do evento: aluguel do espaço, decoração e o buffet

Publicado em 06/04/2019 - 10h20
Umas dos poucos registros guardados pelo casal

Atualizada às 14h40 do dia 10 de abril para acréscimo de posicionamento da Vale.

O dia de 22 de março deste ano era para ser uma data de felicidade inesquecível para o casal Ananeria e Breno, de São Gonçalo do Rio Abaixo. Depois de dez anos de relacionamento, os dois celebraram o casamento naquela noite. No entanto,em vez de alegria, as lembranças que guardam é de tristeza e susto. No momento em que iriam começar a festa, tiveram de sair correndo, juntos com os convidados, por causa do toque da sirene da Vale anunciando o rompimento da barragem da mina de Brucutu. Somente muitos minutos depois, o casal e toda a população são-gonçalense descobriram que o alerta foi um “erro técnico” da mineradora. Naquela noite, a sirene era para tocar apenas em Barão de Cocais, onde o nível de alerta da barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, foi elevado para o nível 3 de risco de rompimento. O casal estuda agora uma ação de indenização contra a Vale.

“Foi tudo muito rápido, tínhamos acabado de servir o jantar. Estava na cozinha e me disseram para esperar confirmar se era verdade. Quando saí na rua, havia um tumulto, vários carros e uma pessoa de moto disse para correr porque a lama já tinha chegado no bairro Recreio, cinco minutos de onde estávamos”, relata a noiva Ananeria Tocedo da Cruz, 24, estudante de educação física. A festa de casamento acontecia no Curral Grill Restaurante, onde haviam cerca de 150 convidados.

Desespero

“As pessoas correram muito. Vi meu avô que é de idade com dificuldade para andar correndo apavorado. Minha amiga foi atravessar a rua carregando o filho no colo e caiu. Muito triste ver todas as pessoas que estavam ali para comemorar conosco, fugir chorando e traumatizadas. Uma das crianças dizia para a mãe para não deixá-la morrer”, lembra Ananeria.

Ananeria conta que, assim que compreendeu a gravidade do que estava sendo anunciado, começou a organizar as pessoas a procuraram um ponto alto para se protegerem da lama. O local de comemoração foi evacuado. Na correria, os noivos deixaram para trás não apenas a festa, mas todos os presentes que haviam recebido. “Roubaram todos os nossos presentes, os doces. Só não levaram o bolo, que nem chegou a ser cortado, porque era pesado. Um dia preparado para ser especial e terminou em desastre”, lamenta. Mesmo sem a festa como planejado, o casal teve de arcar com todos os custos do evento: aluguel do espaço, decoração e o buffet. Ananeria conta que também não conseguiu fazer o álbum de fotos. Como o casamento foi somente no cartório, os retratos do casal seriam tirados durante a festa.

Indenização

Alguns dias após o ocorrido, o casal procurou a Polícia Civil da cidade para registrar uma queixa, pois quer ser indenizado pela Vale tanto pelos prejuízos financeiros quanto pelos danos morais. Na delegacia, Ananeria disse que foi orientada a procurar um advogado. Atualmente, ela e o marido estudam como irão dar início ao processo. “Até agora não recebemos nem um pedido de desculpas”, declarou.

Posicionamento

A Vale emitiu posicionamento após publicação da matéria sobre os transtornos no casamento. Leia, na íntegra, a nota encaminhada a DeFato Online:

“Simultaneamente ao acionamento da sirene em Barão de Cocais, na noite  de 22/3, foi disparado um alarme nas proximidades da mina de Brucutu, em Minas Gerais. A Vale reitera que o erro foi corrigido e certificou que os acionamentos das sirenes de suas barragens estão independentes. A empresa lamenta os transtornos causados e pede desculpas à comunidade de São Gonçalo do Rio Abaixo.”


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