Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018
TECNOLOGIA
Caminhões fora de estrada sem operadores já funcionam na Mina de Brucutu

A expectativa da Vale é que toda frota de Brucutu seja substituída até o início de 2019

Publicado em 13/09/2018 - 11h52
Caminhão conduzido de forma autônoma com capacidade para 240 toneladas - Foto: Divulgação Vale

Caminhões fora de estrada que funcionam sem operadores, com capacidade para 240 toneladas, já circulam na Mina de Brucutu, operada pela Vale, em São Gonçalo do Rio Abaixo. Resultado de seis anos de pesquisa e testes, sete máquinas utilizadas para o transporte de minério de ferro da lavra para a usina de beneficiamento funcionam de maneira autônoma.

Os caminhões tecnológicos circulam ao lado de outros seis que ainda são controlados de maneira tradicional. A expectativa da Vale é que toda frota de Brucutu seja substituída até o início de 2019. Serão 13 equipamentos, todos sem a necessidade de operadores.

Segundo a Vale, a produtividade do sistema de operações autônomas é superior na comparação ao modelo convencional de transporte. De acordo com Isto É Dinheiro, o volume de minério de ferro transportado na mina, em um mês uso do novo maquinário, alcançou aumento de 26%. A empresa também afirmou que a operação autônoma aumenta a vida útil do equipamento, gera menor desgaste de peças e redução dos custos de manutenção.

“Com base em dados de mercado da tecnologia, a Vale espera conseguir aumento da vida útil de equipamentos da ordem de 15%. Estima-se ainda que o consumo de combustível e os custos de manutenção sejam reduzidos em 10% e que haja um aumento da velocidade média dos caminhões”, informa a mineradora, em nota emitida em seu site.

Operadores deslocados

O funcionamento dos veículos autônomos é supervisionado por funcionários instalados em salas a quilômetros de distância das operações. Segundo a Vale, os operadores de equipamentos de Brucutu foram deslocados para outras funções na própria mina ou em outras unidades na região. Parte da equipe foi aproveitada na gestão e controle dos equipamentos autônomos, após ter passado por cursos de capacitação, que podem durar até dois anos.

A mineradora defende que “a tendência com o maior uso dos equipamentos autônomos é de que a Vale crie mais oportunidades para profissionais de alta qualificação nas áreas técnicas e de engenharia de automação, robótica e de Tecnologia da Informação nas áreas operacionais”.

Empregado monitora o funcionamento dos caminhões autônomos – Foto: Divulgação Vale

Segurança

A empresa também abordou a questão da segurança. Para a Vale, “com menos pessoas presentes nas atividades de lavra, onde há movimentação de veículos pesados e grandes volumes de carga, diminui-se a exposição dos empregados a riscos de acidentes”.

A Vale pontua que a tecnologia utilizada nos caminhões consegue identificar obstáculos e mudanças que não estavam previstas no trajeto determinado pelo centro de controle. Ao detectar riscos, os equipamentos paralisam suas operações até que o caminho volte a ser liberado. O sistema de segurança é capaz de detectar tanto objetos de maior porte como grandes rochas e outros caminhões até seres humanos que estejam nas imediações da via.

A experiência e os resultados alcançados com equipamentos autônomos em Brucutu vão pesar na decisão da Vale de expandir ou não o uso da tecnologia nas demais operações. A empresa justifica que a conversão de uma mina para operação autônoma demanda um investimento expressivo, portanto, não deverá ser aplicado em plantas com produções pequenas. “Vamos avaliar com cuidado os resultados e a viabilidade para outras operações e processos, mas as perspectivas são promissoras”, diz Lúcio Cavalli, diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos.

LEIA TAMBÉM


Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.