Domingo, 24 de Março de 2019
LEGISLATIVO
Câmara de Monlevade aprova repúdio ao Enem por questão com dialeto LGBT+

Requerimento foi proposto pelo vereador Pastor Carlinhos (MDB), que alegou “falta de vergonha” por parte dos organizadores da avaliação

Publicado em 16/11/2018 - 10h26
Vereadores de Monlevade aprovaram repúdio ao Enem - Foto: Jornal A Notícia

Vereadores de João Monlevade aprovaram, na última semana, voto de repúdio contra os organizadores do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por causa de uma questão que apresentou texto em “pajubá”, dialeto usado por grupos da comunidade LGBT+ no Brasil. O requerimento foi apresentado por Pastor Carlinhos (MDB), que justificou “falta de vergonha” e “aparelhamento da esquerda” por parte da banca que produz a avaliação.

Segundo citado pelo Jornal A Notícia, Pastor Carlinhos declarou que a questão “representa o aparelhamento da esquerda querendo impor o seu viés ideológico”. “Isso ficou explícito nessa questão do Enem. Depois não sabemos o porquê de nosso ridículo desempenho educacional”, continua o vereador. “Precisamos defender nossos jovens”, disse na Tribuna.

O voto de repúdio foi aprovado por 13 vereadores. Thiago Titó (PDT) se absteve e o presidente Djalma Bastos (PSD) não votou. Pastor Carlinhos solicitou ainda que a decisão fosse comunicada na íntegra ao Ministério da Educação (MEC) e ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Polêmica

A questão sobre o pajubá gerou debates em todo país e até o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) entrou na discussão. Em transmissão via Facebook na semana seguinte à primeira aplicação do Enem, o futuro chefe do Executivo criticou o enunciado e disse que em seu governo irá fiscalizar as provas antes de elas se tornarem públicas.

“Esta prova do Enem – vão falar que eu estou implicando, pelo amor de Deus –, este tema da linguagem particular daquelas pessoas, o que temos a ver com isso, meu Deus do céu? Quando a gente vai ver a tradução daquelas palavras, um absurdo, um absurdo! Vai obrigar a molecada a se interessar por isso agora para o Enem do ano que vem?”, indagou o presidente eleito. “Podem ter certeza e ficar tranquilos. Não vai ter questão desta forma ano que vem, porque nós vamos tomar conhecimento da prova antes. Não vai ter isso daí”, completou.

A presidente do Inep, Maria Inês Fini, afirmou que o Enem é formulado por uma banca de professores e técnicos do instituto e que o governo não tem qualquer interferência na elaboração das questões.

“Em momento algum houve qualquer perspectiva de doutrinação, de valorização de uma posição em detrimento da outra. Eu só lamento que algumas leituras tenham sido equivocadas, mas cada pessoa, cada leitor do mundo faz uma interpretação do texto da maneira como quer, não é? Com a sua cultura, com seus valores e com as suas ideologias”, defendeu Maria Inês.


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