Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
Editorial
BR-381: Rodovia da Morte e das Promessas  

A duplicação da BR-381 precisa sair do papel. Precisa interromper a escalada dos números que dão medo. E abrir espaço para outra história, de indutora de investimentos, empregos, prosperidade regional.

A BR-381 é uma das principais rodovias da malha viária do país. Liga o Sudeste ao Nordeste, escoando a produção e fazendo gerar divisas para a União, Estados e municípios.

A BR-381 é também a campeã nas estatísticas de acidentes, mortes e feridos. Só entre janeiro de 2014 e junho do ano passado, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal, aconteceram nas pistas da BR-381 quase 23 mil acidentes com mais de 18 mil feridos. Foram registradas 966 mortes.

A duplicação da BR-381 precisa sair do papel. Precisa interromper a escalada dos números que dão medo. E abrir espaço para outra história, de indutora de investimentos, empregos, prosperidade regional.

Nesta quarta-feira, dia 20 de março, em mais um esforço dos políticos da região do Médio Piracicaba, houve um encontro em Belo Horizonte com a Coordenação de Engenharia do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em Minas Gerais.

A promessa ouvida: o Dnit se comprometeu a entregar as obras de expansão do trecho Barão de Cocais-Caeté até dezembro.

O órgão tem, portanto, nove meses para fazer nascer uma nova estrada.

Então em dezembro, com a promessa honrada, todos que dependem da rodovia poderão ter um final de ano mais feliz, trafegando por uma rodovia que hoje desafia a cada segundo a perícia, a atenção, a prudência e a sorte de cada motorista e passageiro que por ali se aventura.

Trafegar pela BR-381 hoje é uma experiência que não se deseja a ninguém.

Desvia-se de um buraco para cair em outro.

Ultrapassar é sempre uma manobra de vida ou morte.

O tráfego pesado de caminhões e carretas joga para o lado a esperança de uma viagem tranquila. Isso é ilusão na BR-381.

Não custa repetir: há vidas sendo ceifadas na BR-381 por conta da morosidade nas obras.

Há empregos se perdendo.

Empreendedores interessados em investir nas cidades atendidas pela BR-381 não escondem de ninguém a impossibilidade, compreensível, de abrirem novos negócios na região enquanto a duplicação não se tornar realidade.

Os números que cercam a BR-381 são sempre grandiosos, seja pelo lado negativo, como nas estatísticas de acidentes, ou o lado positivo, que são os investimentos envolvidos, as obras previstas, o impacto na economia da região.

Segundo o Movimento Nova 381, os 205 km de pistas duplicados consumirão, ao final, 64 obras de arte especiais (17 pontes e 47 viadutos), 5 túneis e 20 passarelas.

Ao todo, mais de R$ 4 bilhões em investimentos.

A duplicação da BR-381 precisa sair do papel, é o que mais se ouve. Até mesmo pelas perspectivas animadoras que certamente se abrirão quando um dia essa obra estiver terminada, com vidas poupadas, novos empreendimentos, empregos, uma vida melhor.

A duplicação da BR-381 precisa sair do papel, até mesmo para que a hoje infeliz Rodovia da Morte deixe de lado um outro título que já vem colando: Rodovia das Promessas.


Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.