Domingo, 26 de Maio de 2019
ITABIRA
Assessoria independente irá acompanhar atividades em barragens ligadas à Mina do Cauê

Acordo firmado entre Ministério Público e Vale visa elaboração de estudo técnico em todas as estruturas que fazem parte da mina mais antiga de Itabira

Rodrigo Andrade Publicado em 24/04/2019 - 15h40
Comunidades vizinhas à barragem do Pontal deverão ser as primeiras a terem simulados - Foto: Esdras Vinicius

Vale e Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) firmaram acordo para que todas as atividades ligadas às barragens que atendem à Mina do Cauê, em Itabira, sejam acompanhadas por uma assessoria técnica independente. O trabalho será desenvolvido pela empresa Aecom, uma multinacional especializada em questões ambientais.

O anúncio foi feito nessa terça-feira, 23 de abril, pelo MPMG. O acordo prevê que o estudo técnico aborde todas as estruturas que fazem parte da mina mais antiga mantida pela Vale em Itabira, especialmente as barragens. O termo do compromisso afirma que deverão ser envolvidos os componentes “que de alguma maneira possam interagir ou produzir efeitos cumulativos ou sinérgicos com as referidas estruturas”.

Com presença no Brasil desde 1988, a Acom se descreve como uma empresa capaz de desenvolver soluções econômicas em uma ampla gama de desafios a partir do gerenciamento de questões ambientais novas. O escritório está localizado no Rio de Janeiro.

Ainda segundo o Ministério Público, uma das missões da contratada será verificar a real condição de segurança e estabilidade das barragens e o acompanhamento e auditoria das eventuais medidas adicionais de reparo e reforço das estruturas. O termo também estabelece o acompanhamento da elaboração, em caso de inexistência, ou atualização, se houver necessidade, do Plano de Segurança de Barragens (PSB), bem como do Plano de Ações Emergenciais (PAEBM) das estruturas.

Outro ponto que será acompanhado de perto pela empresa independente é desenvolvimento do plano de preparo e resposta em caso de necessidade de evacuação das zonas de autossalvamento (ZAS) e das zonas de salvamento secundárias (ZSS) das barragens do complexo Cauê.

Usina do Cauê, da Vale – Foto: Esdras Vinicius

Mina Cauê

Operada pela Vale desde 1944, a Mina do Cauê é um marco na história da mineração de ferro no Brasil. Atualmente, abriga uma moderna e bilionária usina de beneficiamento que recebe o que é extraído das chamadas minas centrais da Vale em Itabira. O despejo do rejeito era feito no Complexo do Pontal, mas foi interrompido após ações judiciais impetradas pelo Ministério Público.

No início de abril, as atividades em Cauê chegaram a ser interrompidas por uma semana, segundo a Vale, para manutenções já previstas. A empresa pontuou que essas atividades reforçaram as garantias de que os rejeitos não serão encaminhados ao Complexo do Pontal enquanto as estruturas não estiverem totalmente liberadas pelas autoridades.

Os rejeitos de minério de ferro do que é produzido em Cauê estão sendo desviados para outras estruturas enquanto a Vale realiza obras de reforço de segurança nos diques que integram a barragem do Pontal. No mês passado, todo o complexo foi elevado ao risco 1 de rompimento por causa da não obtenção pela Vale da declaração de estabilidade do Dique 02, que comporta 17,4 milhões de metros cúbicos de rejeito.

Todas essas obras serão acompanhadas agora pela empresa contratada a partir do acordo firmado com o Ministério Público.


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