Segunda-feira, 23 de Abril de 2018
TALENTO
Arte em papel: irmãos ‘itabiranos’ mostram talento para o desenho e ganham destaque no Pará

Um deles falará no colégio sobre a importância do ilustrador, no próximo dia 18, e foi indicado para mostrar alguns de seus desenhos na Biblioteca Municipal de Parauapebas, no Dia do Ilustrador

Tatiana Santos Publicado em 15/04/2018 - 09h14

“Algo que acalma e relaxa”. Em poucas palavras, o estudante Bernardo Santos Costa, de 9 anos, resume a arte que demonstra sob a forma de talento: a ilustração. O garoto nasceu em Belo Horizonte, mas morou em Itabira entre 2015 e 2016, já que toda a família é da cidade. Hoje, ele mora em Parauapebas, no estado do Pará, com os pais e o irmão, Eduardo, 7, que também demonstra aptidão para o desenho.

Enquanto Eduardo é adepto da recriação, Bernardo diz não gostar de se sentir “preso”. “Para desenhar, o que importa mesmo é ser observador, porque se você não observar, nunca vai ter alguma coisa na mente para tirar da cabeça. Copiar é uma coisa chata, porque você não tira nada da cabeça, não se faz esforço nenhum”, defende. Dono de habilidade para a arte, Bernardo começou a demonstrar interesse antes dos 2 anos. Já Eduardo, só manifestou gosto após essa idade, já que não tinha paciência para ficar parado. De acordo com a mãe, a engenheira civil Adriana Santos Costa, quando tinha 1 ano e 5 meses o pequeno Bernardo só queria “zinhar”, como dizia, reivindicando lápis e papeis.

Além de serem influenciados pelas pinturas do avô e desenhos do tio, os meninos são também estimulados por Adriana, que desenhava moda, e o marido, Douglas. Eles sempre incentivaram as crianças, comprando vários materiais, como revistinha para colorir, canetinha, lápis de cor, aquarela. A mãe reforça que os estímulos vêm também dos primeiros anos escolares. “Algo que eu acho importante, é que além do dom, eles estudaram numa escola que incentivava muito as expressões de arte, como desenho, pintura, teatro, recitar poemas. Acho que isso também ajuda, o ambiente, digamos assim”, disse.

Pais estimulam, comprando materiais para os meninos (Foto: Arquivo Pessoal)

Aprendizado

Quando estavam em Itabira, os pequenos fizeram alguns meses de curso com o artista plástico Rafael Fernandes, uma vez na semana. Ele acredita que futuramente os garotos possam se dar bem em áreas de criação e arte. “O que posso dizer dos dois é que notei neles uma desenvoltura muito grande para o desenho. Quando olhei para eles e vi os primeiros traços, eu vi muito de mim nos meus 6 anos, quando comecei. Percebi que eles têm traços muito firmes, exata noção de perspectiva, profundidade, iluminação. Com certeza absoluta é só uma questão de tempo para eles lapidarem ainda mais esse dom”, comenta.

Eduardo é adepto ao estilo geométrico, como Minecraft e afins. Bernardo, por sua vez, é fã de heróis dos desenhos e filmes. Ele relembra seus traços iniciais e o interesse em sempre aprender. “Os primeiros desenhos de super heróis que eu fiz eram com canetinha. Eu não fazia muitos detalhes, porque não tinha muita noção. Antes, a minha mãe imprimia os desenhos, eu coloria, aí pensei: ‘eu quero desenhar alguma coisa também’. Não ficava igual, mas eu sempre queria melhorar”, disse o rapazinho.

Medalhas

Bernardo é estudante do 4º ano e Eduardo do 2º ano. Durante dois meses, alunos do 1º ao 5º ano trabalharam uma obra literária no colégio. Os estudantes fizeram várias atividades voltadas ao livro e votaram no trabalho que mais se destacou. As ilustrações de Bernardo sobressaíram e ele ganhou uma medalha. Já Eduardo, 2º ano, ganhou uma medalha por melhor caricatura. Bernardo ainda falará no colégio sobre a importância do ilustrador, no próximo dia 18, e foi indicado para mostrar alguns de seus desenhos na Biblioteca Municipal da cidade, no Dia do Ilustrador, em 8 de setembro.

Na sala de aula, Bernardo é tido como artista e já conseguiu levantar algumas quantias em dinheiro entre os coleguinhas, com a venda de seus trabalhos. Sobre o futuro, além de se dedicar aos estudos, Eduardo pretende ser um Youtuber voltado aos jogos, e Bernardo, desenhista ou artista plástico. “Para mim, a arte é uma coisa bem difícil de fazer a primeira vez. Mas quando se começa a fazer, vai praticando e aprendendo coisas novas, vê que não é tão difícil, relaxa, acalma”, diz. Com ares de maturidade, Bernardo comenta: “O desenho para mim representa uma coisa calma e relaxante, que pode concentrar toda sua mente em uma só coisa. É aí que sai o desenho”.


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