Domingo, 21 de Julho de 2019
Anglo American projeta expansão de R$ 1 bi e indica medida como vital para continuar em Conceição

Coordenador de Licenciamento Ambiental da Anglo, Felipe Werneck, mostrou detalhes da ampliação da mina em Conceição do Mato Dentro

Publicado em 23/03/2017 - 10h35

O projeto Minas-Rio, que reúne a mineração em Conceição do Mato Dentro, o maior mineroduto do mundo e um porto no litoral fluminense, chega a uma fase decisiva, que pode representar a expansão das atividades ou até mesmo o fim das operações. Controladora desse sistema vultuoso, a Anglo American busca junto aos órgãos estaduais as licenças necessárias para dar início à terceira fase do empreendimento. Detalhes da ampliação e dos procedimentos burocráticos foram informados à imprensa nessa quarta-feira, 22 de março, durante visita às instalações da empresa, em Conceição, quando diretores enfatizaram a importância vital da nova fase para a permanência da mineradora inglesa na região do Médio Espinhaço.

Os números da expansão são grandiosos. A Anglo American espera investir até R$ 1 bilhão em quatro anos. De acordo com informações repassadas pela empresa, serão gerados até 800 empregos no pico das obras e mais 100 depois que a ampliação estiver concluída. Para Conceição do Mato Dentro, a expectativa é de que haja um incremento de 9% na Compensação Financeira por Exploração de Recursos Minerais (Cfem), algo em torno de R$ 3,2 milhões ao ano.

Com a capacidade de exploração da segunda fase chegando ao limite, a empresa condiciona a continuidade do Minas-Rio à obtenção das licenças prévia (LP) e de instalação (LI) junto à Câmara de Atividades Minerárias (CMI), ligada ao Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Antes, porém, os estudos de impactos ambientais precisam receber a anuência da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) do Jequitinhonha, sediada em Diamantina.

Com tantas etapas burocráticas, o diretor de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da Anglo American, Aldo Souza, afirma que a empresa “não tem mais margem de manobra”. Ele afirma que a mineradora perdeu toda folga que tinha na obtenção dos licenciamentos por causa de entraves no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) e devido a uma greve na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) no ano passado. “O ano de 2018 é o nosso limite. Se atrasarmos um mês já teremos problemas. Se não tivermos a licença de operação (LO) para a terceira fase teremos que parar a produção em Conceição do Mato Dentro”, frisou.


Diretor de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da Anglo American, Aldo Souza                                            Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A expansão

Por já manter atividades na região do Médio Espinhaço, a Anglo American pode requerer a LP e a LI de uma só vez. O processo para pedir as licenças foi aberto em janeiro de 2015, mas só chegou à Supram dez meses depois, segundo explicou o coordenador de Licenciamento Ambiental da Anglo, Felipe Weneck. De acordo com ele, a empresa espera ter a liberação para iniciar as instalações da terceira fase em julho deste ano. A partir daí, inicia-se um período de 50 meses para as obras necessárias. No decorrer desse tempo, na segunda metade de 2018, a Anglo iniciará o processo para ter a LO.

A expansão das atividades garantirá mais 28 anos de exploração mineral em Conceição do Mato Dentro, segundo a empresa. O projeto inclui a extensão da área de lavra até bem próximo da MG-010, aumento da pilha de estéreo, construção de novos diques de contenção, uma nova linha de flotação e o alteamento da barragem em 20 metros. Segundo diretores da Anglo, toda a planta do Minas-Rio já é planejada para receber essa suplementação de produção. O mineroduto e o porto de Açu, no litoral fluminense, não precisarão ser ampliados.

No dia 11 de abril, uma audiência pública irá debater a expansão da mina em Conceição do Mato Dentro. A reunião acontece no Ginásio Poliesportivo da cidade. No encontro, diretores da empresa irão mostrar números e demais informações sobre o projeto e a comunidade poderá se manifestar, além de fazer questionamentos. Essa audiência é uma das etapas do processo de licenciamento.


Diretor de Operações do Minas-Rio, José Flavio Gouveia                                                                        Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

O diretor de Operações do Minas-Rio, José Flávio Gouveia, destaca que, durante o planejamento das estruturas do projeto, foram levadas em consideração algumas premissas, como evitar grandes intervenções em área de vegetação nativa, utilizar áreas e vias que já existem, apenas com melhorias e readequações, caso necessário, e dar continuidade às atividades operacionais realizadas atualmente, sempre cumprindo os respectivos programas socioambientais.

A exemplo de Aldo Souza, José Flávio também destaca a importância da ampliação para a continuidade do empreendimento. “A Fase 3 é fundamental para que o Minas-Rio continue suas operações em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas e também alcance a capacidade de produção nominal do projeto, de forma a obter viabilidade econômica necessária ao negócio e manter a geração empregos e riquezas na região”, afirma. 


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