Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
MINERAÇÃO
Amig mostra preocupação com Brucutu e cobra postura firme da ANM sobre barragens

Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) afirma que São Gonçalo do Rio Abaixo e cidades vizinhas sofrerão impacto econômico grande com paralisação de parte da mina de Brucutu

Rodrigo Andrade Publicado em 06/02/2019 - 12h22
Diretoria da Amig se reuniu com gestores da Agência Nacional de Mineração (ANM) - Foto: Divulgação

A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) afirma que acompanha com preocupação a paralisação de parte da produção da mina de Brucutu, da Vale, em São Gonçalo do Rio Abaixo. As atividades foram suspensas depois que uma liminar concedida pela 22ª Vara Cível de Belo Horizonte, a pedido do Ministério Público, impediu a continuidade do despejo de rejeitos na barragem de Laranjeiras, localizada em Barão de Cocais, e que atende à mina.

“Com relação a suspensão temporária das atividades na mina de Brucutu, haverá sérios danos na economia dos municípios da região, principalmente, São Gonçalo do Rio Abaixo, Barão de Cocais e Itabira, onde há uma dependência muito grande da atividade minerária. É fundamental que medidas preventivas sejam realizadas para garantir que novas situações como a de Brumadinho não aconteçam, porém, com diálogo e participação das cidades nas decisões”, defende a Amig, em nota encaminhada a DeFato Online.

A liminar que afeta a produção de Brucutu foi expedida durante o último fim de semana. Além da barragem de Laranjeiras, outras sete estruturas mantidas pela Vale, em Brumadinho, Ouro Preto e Nova Lima, foram impedidas de continuarem recebendo rejeito. No caso da mina instalada em São Gonçalo do Rio Abaixo, a maior mantida pela empresa em Minas Gerais, os cálculos da companhia são de que até 30 milhões de toneladas de minério de ferro deixem de ser produzidas.

Na última segunda-feira (4), o prefeito são-gonçalense, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT), afirmou a DeFato Online que o momento na cidade “é de apreensão até que até que se esclareçam todas as dúvidas”. Em declarações a outros veículos e agências de notícias, o político ressaltou que a medida judicial afeta de 80% a 90% da produção de Brucutu, já que a Vale informou que manterá ativa apenas a produção de minérios finos, que é feita por processo seco, sem despejo em barragens.

Mina de Brucutu tem parte das operações paralisadas – Foto: Divulgação

Postura firme

Prefeitos de cidades mineradoras que integram a Amig viajaram para Brasília nessa terça-feira (5), onde participam de reuniões com a diretoria da Agência Nacional de Mineração (ANM). Em postagem via Facebook, o chefe do Executivo de Itabira, Ronaldo Magalhães (PTB), vice-presidente da associação, afirmou que os gestores cobraram “uma postura firme do órgão com a segurança das barragens” e falaram também “sobre os impactos da tragédia de Brumadinho”.

Segundo a Amig, a entidade pretende apresentar ao Governo Federal uma pauta de temas relacionados às melhorias para o setor mineral, como, por exemplo, a finalização da apuração do processo de dívidas das mineradoras iniciado pelo Grupo de Trabalho de 2018; repasse da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) dos municípios impactados e gravemente afetados pela mineração; e o  Programa Permanente de Relações Institucionais para tratar os assuntos relevantes à mineração brasileira, como barragens, compensações socioambientais, fiscalizações e licenciamento,

“O objetivo é transformar a mineração, elevando-a a um patamar de normas e processos internacionais, de forma que aconteça uma mudança na cultura de segurança”, afirma a associação.


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