Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Alunas da Unifei-Itabira pesquisam reaproveitamento de resíduos da construção civil

Material descartado pode ser transformado em produto para a construção civil

Publicado em 04/10/2012 - 12h47

 

Uma pesquisa coordenada pelo professor Carlos Augusto Souza de Oliveira e desenvolvida pelas alunas Alaíde Marta dos Santos e Letícia Maria Costa Teixeira, da Unifei-Itabira, transforma resíduos da construção civil em materiais para novas edificações. O trabalho ainda está sendo concluído, mas as expectativas são grandes quanto aos resultados, segundo o coordenador.
 
A pesquisa, desenvolvida no laboratório da universidade, em Itabira, utiliza restos de construção coletados no Aterro de Resíduos Inertes da Itaurb, para onde vão os entulhos. Segundo os pesquisadores, só em Itabira 100 toneladas de resíduos são geradas por dia. “É dinheiro sendo jogado fora”, afirmam.
 
A pesquisa começou em fevereiro deste ano, com a coleta do material. Depois de confeccionada a amostragem, o RCC (como é denominado o resíduo de construção civil) foi levado para o laboratório da universidade para ser beneficiado. Restos de concreto, argamassas e resíduos cerâmicos foram colocados em um britador e depois peneirados.
 
A partir daí foi possível obter brita e areia, originários do mesmo material descartado no aterro. Começaram, então, os testes. Para fazer o concreto, foi usada a brita de gnaisse (tradicionalmente usada nas construções) como referência, a fim de comparar posteriormente o concreto com a brita “tradicional” e com a brita do RCC. Os testes com areia seguiram os mesmos procedimentos.
 
Viabilidade
Segundo o professor, ainda não se chegou aos resultados conclusivos, mas já se sabe que a aplicação do material proveniente da reciclagem dos resíduos é perfeitamente viável. Os testes de resistência, tanto do concreto quanto da argamassa, foram satisfatórios e tendem a ficar acima do mínimo exigido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
 
No dia 17 de outubro o resultado da pesquisa será apresentado à comunidade acadêmica. Para o professor Carlos Augusto, o estudo é extremamente importante, pois abre caminho para a minimização do descarte, preservação do meio ambiente e fomento a novos negócios.
 
No estado de Minas Gerais, apenas a Prefeitura de Belo Horizonte reaproveita o RCC para consumo próprio. Há empresas em São Paulo e em Santa Catarina que também têm usinas de beneficiamento de resíduos da construção civil. Em Itabira, seria uma oportunidade e tanto aplicar este conhecimento na prática, estimulando o empreendedorismo. O aterro de inertes da cidade já opera em seu limite.

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