Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017 -
APÓS MENSAGENS

Polícia e escola desmentem boatos sobre o jogo Baleia Azul em Itabira

Mensagens no WhatsApp diziam que o jogo chegou à escola Major Lage e que um jovem daria balas envenenadas para crianças de três instituições de Itabira
19/04/2017 15h27
Mariana Reis
DEFATO
Diretora da escola Major Lage afasta boato sobre o jogo Baleia Azul na instituição

Boatos envolvendo o jogo Baleia Azul, que incentiva o suicídio, assustaram moradores de Itabira nesta quarta-feira, 19 de abril. Uma mensagem, que começou a circular pelo WhatsApp, dizia que um participante do desafio estava pronto para envenenar crianças de três escolas do município. Outra informava que há alunos participando do jogo macabro na Escola Estadual Major Lage, no bairro Pará.

Segundo o comandante do 26º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Hudson Matos Ferraz Júnior, os conteúdos são falsos. “Não temos nenhuma informação que esses boatos sejam verdadeiros. Acredito que as mensagens se espalharam pela chamada ´rede social sem filtro´”, disse.


Mensagem que circula no WhatsApp diz que jogo da Baleia Azul chegou a escola Major Lage

A diretora da Escola Estadual Major Major Lage, Marisa Maria de Oliveira Pereira, afirmou que ela e os funcionários da insituição “não tiveram paz para trabalhar” nesta quarta-feira. Pais não deixaram os filhos irem às aulas e o telefone tocou o dia inteiro. Segundo Marisa, a instituição de ensino não sabe de onde surgiu o boato. “Fui surpreendida ontem à tarde por uma aluna que mostrou a mensagem”, contou.

Marisa disse que recebeu a mesma mensagem, mas com três nomes de cidades diferentes. “Aqui não aconteceu nada. Então, estamos alertando aos pais, até pelo Facebook, que não passa de boatos. Até o momento, não temos indício nenhum de que algum aluno participa do jogo”, frisou.

Desde o ano passado, a Major Lage começou uma campanha sobre atitudes e valores de alunos e famílias e sobre a importância de usar as redes sociais corretamente. “Os meninos não estão sabendo usar a internet. Então, estamos falando sobre o uso das redes sociais e valorização da vida. Nossos alunos não ficam sozinhos, os acompanhamos o tempo todo. São sempre monitorados de perto e qualquer mudança de comportamento nós chamamos os pais”, salientou.

Para afastar os boatos, a diretora também usou as redes sociais. Em mensagem que circula no WhatsApp, a educadora afirma que "até o momento não detectamos nenhum sinal de participantes desse jogo em nossa escola, mas provavelmente ele já chegou em todas as cidades. Isso preocupa muito a nós, profissionais da educação, assim como a vocês pais. O perigo não está na escola e sim na internet”.

Alerta

A jornalista Patrícia Emiliano, 32 anos, tem uma filha de três anos que estuda em uma das escolas citadas na mensagem de que balas envenenadas seriam distribuídas. Ela afirma que mesmo se tratando de um boato, o episódio serviu de alerta. “Os pais devem monitorar e prestar mais atenção em seus filhos. Inclusive, monitorar as redes sociais e saber o que os filhos fazem. Serem mais amigos e manter um diálogo também é fundamental”, disse, salientando que irá continuar atenta, pois novos boatos poderão surgir.

Patrícia recebeu a mensagem na manhã desta quarta, no grupo do WhatsApp da escola que a filha estuda. “Foi uma apreensão geral, eu fiquei extremamente preocupada, meu marido também. Na mesma hora conversei com minha filha e falei para ela não aceitar nada de estranhos”, contou. A diretora da escola se pronunciou e acalmou os pais. “Todo mundo está em alerta, apesar de ser falso, ficamos preocupados com a segurança dos nosso filhos”, disse.

Boato que se espalha

A mesma mensagem que assustou pais e a comunidade escolar de Itabira, causou o mesmo efeito em outras cidades. O texto que circula no aplicativo WhatsApp é exatamente o mesmo e só muda o nome do município. Um exemplo é esse logo abaixo, que levou pânico à cidade de Ipanema, no Vale do Rio Doce.


A mesma mensagem, porém em cidades diferentes, Itabira e Ipanema

O jogo

A Baleia Azul é um jogo viral que tem causado alarme no mundo todo. É disputado pelas redes sociais, e propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, desenhar uma baleia em seu corpo com uma faca, ficar doente e, na etapa final, cometer suicídio. Em Minas Gerais, há dois casos com possíveis relações com a Baleia Azul. Um em Pará de Minas e outro em Belo Horizonte.

O jogo se inicia com um convite para a página privada e secreta deste grupo “#F57” no Facebook, e nela um instrutor passa alguns desafios aos seus novos jogadores. A partir de então, o que parece um jogo inocente, torna-se macabro e mortal.

Veja orientações que a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) dá aos pais para evitar que crianças e adolescentes estejam expostos a crimes no ambiente virtual:

1. Manter a proximidade com os filhos, sobrinhos e alunos é essencial. Dessa forma, é possível conhecer mais sobre amigos, lazer e atividades sociais de interesse.

2. Ter acesso a redes sociais para verificar o tipo de assunto que aborda ou compartilha entre os amigos.

3. Importante se inteirar da rotina e ficar atento a qualquer alteração de comportamento. Mudanças de estilo de roupas e hábitos, por exemplo, são um indicativo de alerta.

4. É fundamental que a família e a escola realizem atividades que despertem o interesse no jovem acerca de seu futuro, que estimulem sua autoestima e planos de vida.

5. Promover sempre um diálogo aberto, com orientações e informações sobre os riscos de eventuais crimes pela internet, que podem vir mascarados de entretimento e sedução para algo interessante e que, na verdade, pode ser uma grande armadilha.

6. A relação de confiança criada com os pais é imprescindível para que o adolescente possa relatar qualquer coisa diferente que tenha ocorrido em sua rotina, sem temer ser punido.

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20/04/2017 - 14h36
Márcia Souza
ITABIRA
Não entendo porque as pessoas querem colocar a culpa nas escolas. Afinal, não é aceito o uso de celulares e redes sociais dentro das mesmas. Os pais devem ficar atentos sim aos filhos na hora da saída, vejo muitas crianças sozinhas brincando do lado de fora aguardando a chegada dos pais, isto sim é muito perigoso. Quanto ao uso de redes sociais, as próprias redes já determinam que a idade mínima para utilização seja de 18 anos, ou seja, a maioria dos pais deixam seus filhos menores de idade utilizarem mesmo sabendo disto. Quanto ao que acontece dentro das escolas, aí sim é de responsabilidade delas. Neste sentido foi muito bom a repercussão destas mensagens, mesmo que estas sejam falsas. Pelo menos serviram de alerta aos pais, professores e profissionais do ensino.
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