Sábado, 23 de Setembro de 2017 -

Saúde anuncia recursos para estímulo precoce e avaliação de crianças com zika

13/09/2017 07h21
DIVUGAÇÃO
Zika vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti

O Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 26,8 milhões em duas ações para o acompanhamento e o estímulo precoce de bebês com Síndrome Congênita do Zika, cuja malformação mais conhecida é a microcefalia. O anúncio foi feito nesta terça-feira (12), no Recife, pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Desse total, R$ 15 milhões serão destinados a equipes de Núcleo de Apoio à Saúde da Família que contam com profissionais de fisioterapia. De acordo com o Ministério da Saúde, das 4.655 unidades existentes no país, 4.143 contam com esse tipo de profissional. Cada equipe receberá R$ 3,6 mil para aquisição de material destinado a estimular bebês a desenvolverem os sentidos e a coordenação motora .

Uma lista com sugestões de material para compra será incluída na portaria publicada amanhá (13), informou a área técnica do ministério. São objetos como colchonetes, bolas, brinquedos e martelo de reflexo, já tratados em protocolos nacionais de atendimento desses bebês. Os municípios terão, porém, liberdade para definir o que devem comprar, baseados também na necessidade de cada criança. As prefeituras receberão os recursos em parcela única por meio do Piso da Atenção Básica (PAB variável).

Os recursos são bem-vindos, disse o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. "A maioria das crianças aqui em Pernambuco já ultrapassa o primeiro ano de vida. e novos desafios são identificados a cada dia", disse Correia.

Perguntado se os recursos para compra de material de estímulo precoce não teriam chegado tarde, já que os profissionais da área recomendam que o trabalho comece nos primeiros meses de vida, o secretário disse que existem bebês pernambucanos que têm a síndrome e estão fazendo 2 anos de idade. O município do Recife, por exemplo, aportou "os recursos possíveis" desde o primeiro momento para garantir o acolhimento e iniciar a reabilitação precoce, acrescentou Correia. "A gente sabe que, quanto mais cedo começa [o estímulo precoce], melhores os resultados. A chegada desses recursos agora é um reforço."

A neuropediatra Vanessa van der Linden, uma das primeiras médicas a identificar as malformações associadas ao Zika, disse que é preciso também que os recursos sejam usados para acompanhar as crianças mais velhas, nascidas no começo da epidemia. “Vai ser importante para entender como estão essas crianças, que tem em torno de 2 anos. A gente fazer uma avaliação padronizada a nível nacional. Porque eu só posso fazer tratamento se entender quais são os principais problemas: o que leva elas ao hospital, à piora do quadro.”

Metade dos casos ainda em investigação

Os R$ 11,8 milhões restantes serão destinados aos estados para custear avaliações, diagnósticos e acompanhamento dos 5,3 mil casos confirmados e em investigação de crianças com a síndrome associada ao vírus Zika. São R$ 2,2 mil correspondente a cada criança. Dos 5,3 mil registros, pouco mais de 2,6 mil bebês ainda não têm o diagnóstico conclusivo de malformações associadas ao vírus – quase metade do total.

Desde 2015, foram feitas 14.577 notificações de possíveis casos e registradas 883 mortes causadas pela síndrome. Em agosto deste ano, de acordo com o Ministério da Saúde, 20% dos casos foram confirmados, 21% permanecem em investigação e 44% foram descartados. Os casos de microcefalia diminuíram mais de 92% em 2016 e 2017. Ainda de acordo com o ministério, a rede de reabilitação do Sistema Único de Saúde (SUS) conta com 2.323 serviços credenciados.

Agência Brasil
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