Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017 -
AUDIÊNCIA PÚBLICA

"Poderíamos ter o dobro do efetivo que a sensação de impunidade seria a mesma", lamenta delegado

Na Câmara, autoridades discutem violência crescente em Itabira. No evento, faltaram representantes do Judiciário e ALMG
12/07/2017 12h35
Wesley Rodrigues
WESLEY RODRIGUES/DEFATO
Paulo Tavares enfatizou uma legislação penal que, a seu ver, pode ser pouco eficaz
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“Não adiantaria termos hoje em Itabira o nosso quadro funcional completo. Poderíamos ter o dobro do efetivo que a sensação de impunidade seria a mesma. Não adianta colocarmos mil, dois mil, três mil, quantos forem os criminosos atrás das grades. O problema é mantê-los atrás das grades”.

O desabafo, do delegado regional Paulo Tavares Neto, foi aplaudido na noite dessa terça-feira, 11 de julho, ocasião em que se discutiu, na Câmara de Vereadores, a crescente criminalidade na cidade.

Na audiência pública sobre segurança, o auditório do Legislativo reuniu manifestantes, agentes políticos e representantes das polícias Civil e Militar e Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep). Faltaram membros do Judiciário e convidados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O comando das polícias no município, representado por Paulo Tavares e o subcomandante do 26º Batalhão de Polícia Militar, Major Rogério Fernandes, pontuou o trabalho árduo no combate à violência, problema que vai muito além da alçada das corporações.  

Na avaliação de Paulo Tavares, a severidade das penas é o que pode inibir os crimes, além de se pensar a educação e assistência social. “Culpam a polícia pelo aumento da criminalidade. Só que nós – e me refiro a todo o sistema de segurança pública - atuamos na consequência. Na causa nós não atuamos. Nós somente tratamos da consequência do fato e, infelizmente, não podemos dar a devida condução da consequência. Porque não temos mecanismos eficazes para manter presos determinados indivíduos”, continuou o delegado regional.

Major Rogério reconheceu uma criminalidade que assusta a cidade de 120 mil habitantes: 17 assassinatos foram registrados de janeiro até agora, conforme a PM.  A maioria dos casos está atribuída ao tráfico de drogas. “Temos desenvolvido operações em toda a cidade, por 24h, de forma que já temos mais de cinco mil operações realizadas dentro de Itabira neste ano e mais de mil prisões efetuadas”, defendeu o oficial.

A audiência reuniu dezenas de participantes no auditório da Câmara de Vereadores de Itabira. Foto: Wesley Rodrigues/DeFato

Município

A representante do Executivo, a secretária de Desenvolvimento Urbano, Priscila Braga, afirmou obras de revitalização viária promovidas pela Prefeitura de Itabira, reforço na iluminação e capina de lotes.

Foi ao município, inclusive, que as principais propostas levantadas na audiência pública foram direcionadas, feitas sobretudo pelos opositores André Viana (PTN) e Vetão (PSB): criação da guarda civil armada; portais e sentinelas no acesso à cidade; plano estratégico de iluminação e mapeamento de áreas precárias; campanhas educativas nas escolas e aumento do repasse às polícias. Nesse último ponto, o governo municipal repassa a PM cerca de R$ 11.500 por mês e R$ 8.500 à Polícia Civil – interpretado pelos participantes como um investimento baixo.

Priscila Braga se comprometeu a levar as reivindicações ao Executivo. Foi apontado também a necessidade de postos policiais em bairros de maior incidência criminal. Major Rogério citou que para as unidades, no entanto, muito além da infraestrutura, é necessário maior efetivo policial, o que compete ao Estado.

A audiência trouxe à tona ainda a necessidade de articulação política para que a cidade tenha um Centro Socioeducativo para acautelamento de adolescentes. 

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13/07/2017 - 16h36
Carvalho
BH
A situação é fruto de um conjunto de anomalias que, a longo do tempo, foi transformando o país num verdadeiro campo de guerra. Hoje a rotina é o policiamento ostensivo detêm o meliante, o policiamento civil reuni e analisa as provas, o delegado briga para arrumar vaga e mandar para a penitenciária, mas o juiz precisa libertar porque o sistema penitenciário não comporta o número de presos existentes.
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13/07/2017 - 10h45
Eustáquio de Castro
Itabira
O Dr. Paulo Tavares tem toda razão. Enquanto não se combater as causas: educação, assistência social e severidade de penas, o crime tem até incentivo no curto prazo. Atacar consequência é muito serviço e pouco resultado.
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