Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017 -
TEMA COMPLEXO

'Pedófilo não tem marca e nem característica específica', diz psicóloga em audiência pública na Câmara de Itabira

Encontro discutiu medidas para atacar os casos de pedofilia no município e terminou com a proposta de criação de uma comissão especial de enfrentamento
06/12/2017 14h13
Rodrigo Andrade
RODRIGO ANDRADE/DEFATO
Psicóloga Claudia Bragança fez alertas sobre casos de pedofilia em Itabira
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Rodrigo Andrade/DeFato
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“Pedófilo não tem marca, não tem característica específica. É uma pessoa ‘boazinha’, que você acha que pode confiar de ficar sozinho com as crianças”. O alerta é da psicóloga e pedagoga Claudia Bragança Costa e Moreira e foi dado durante audiência pública na noite dessa terça-feira, 5 de dezembro, na Câmara de Itabira. O encontro discutiu medidas para minimizar a incidência de casos no município e alertar para um problema cada vez mais comum e pouco debatido.

Claudia atua na Secretaria Municipal de Educação e há mais de uma década atua na área de maus tratos na infância. Ela defende que o trabalho preventivo é a melhor alternativa para coibir os casos de pedofilia, o que inclui conversar com familiares e orientar sobre os sinais dados por crianças que possam estar sendo submetidas à exploração. A profissional afirmou ter conversado com mais de mil pais somente neste ano dentro desse processo de prevenção.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a cada dia pelo menos 20 crianças de zero a nove anos de idade são atendidas em hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) no país por causa de violência sexual. O assunto, no entanto, por ser delicado, não é debatido com a frequência que deveria. Por causa disso, os vereadores Weverton Vetão (PSB) e Paulo Soares solicitaram a audiência pública. Além dos parlamentares e da psicóloga Claudia Bragança, o encontro reuniu outros representantes da Prefeitura, igrejas católica e evangélicas, OAB e Conselho Tutelar.


Weverton Vetão e Paulo Soares organizaram audiência pública para debater casos de pedofilia em Itabira             Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A maioria dos casos de pedofilia (80%) acontece dentro da própria família da vítima. Claudia Bragança alertou também que a prática não consiste apenas no abuso sexual em si, mas pode ser também em forma de exploração, como divulgação de fotos e vídeos. “Nem todo pedófilo é abusador”, afirmou a psicóloga, que ainda completou que o pedófilo é um doente que tem a exata noção do que é certo e é errado. “Eles sabem que a prática é um crime”, acrescentou.

Participaram também da audiência pública: Neidson Dias Freitas, presidente da Câmara Municipal de Itabira; Maria da Luz Aparecida da Silva, presidente do Conselho Tutelar; Tatiana Gavazza, representante do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas); pastor Flávio Nascimento, da Igreja Batista Central; pastor Luiz Henrique, presidente da Associação Filadélfia; padre Eugênio Ferreira, representando a Diocese; Ilton Magalhães, secretário municipal de Governo; além de vereadores, advogados e comunidade em geral.


Audiência reuniu representantes de entidade na Câmara de Itabira                                                                       Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Ao fim do encontro, os participantes decidiram criar uma Comissão Especial de Enfrentamento à Pedofilia em Itabira. O grupo terá a participação de diversos setores da sociedade e formulará novas propostas para combater a exploração infantil no município.

“É um assunto que nunca foi pautado desta forma. Essa discussão é algo novo em Itabira. A comissão aqui formada será uma comissão que terá muito trabalho. Acredito que o ponto mais positivo disso tudo é mostrar para a população a importância de se proteger nossas crianças e adolescentes”, afirmou o vereador Weverton Vetão.

Paulo Soares ressaltou a participação efetiva da comunidade na audiência pública. “Tivemos aqui representações evangélicas, católicas e diversos técnicos da Prefeitura. É um tema forte, mas nos surpreendemos com a participação da população. Com a proposta da criação da comissão, vamos unir Executivo, Legislativo e representantes de entidades diversas para combater a pedofilia e fortalecer o pilar da família itabirana”, declarou. 

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