Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014 -

Nhá Chica se torna a primeira beata nascida em Minas Gerais

05/05/2013 09h38

Neste sábado (4), às três horas da tarde, horário em que Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica, costumava fazer suas orações diárias, foi iniciada a Santa Missa de beatificação da Venerável Serva de Deus. O sol forte não foi empecilho para que as cerca de 30 mil pessoas, entre devotos e peregrinos, de todos os cantos de Minas Gerais e do Brasil, comparecessem à cerimônia.

Presidida pelo prefeito da Congregação da Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato, representante do Papa Francisco, a Missa de Beatificação de Nhá Chica também foi regida por 120 cantores, pertencentes a quatro corais da região – de São Lourenço, Lambari, Caxambu e Baependi. Cerca de 150 autoridades eclesiásticas, entre bispos, arcebispos e padres, do Vaticano e da Igreja Católica no Brasil, participaram da cerimônia.

A Santa Missa de Beatificação de Nhá Chica foi conduzida pelo bispo da diocese de Campanha (a qual pertence a paróquia de Baependi), Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho. No momento da beatificação, Dom Diamantino leu a história de vida de Francisca de Paula de Jesus e pediu autorização ao Vaticano para que ela se tornasse beata.

Em seguida, o cardeal Angelo Amato leu, em latim, a Carta Apostólica, com a qual o papa Francisco inscreveu a Venerável Nhá Chica entre os beatos. É a primeira venerável a se tornar beata no papado de Francisco. A carta descreve as qualidades da nova beata. “Com a Nossa Autoridade Apostólica, concedemos que a Venerável Serva de Deus, Francisca de Paula de Jesus, conhecida como Nhá Chica, leiga, virgem, mulher de assídua oração, perspicaz testemunha da Misericórdia de Cristo para com os necessitados do corpo e do espírito, doravante seja chamada Beata e que se possa celebrar sua festa, todos os anos, no dia 14 de junho, dia de seu nascimento ao céu”, disse.

Uma relíquia dos restos mortais de Nhá Chica foi conduzida ao altar pela professora e dona de casa Ana Lúcia Meirelles Leite, curada de um problema congênito muito grave no coração, sem precisar de cirurgia, apenas pelas orações de Nhá Chica. O milagre, reconhecido pelo Vaticano, foi essencial para a beatificação. A imagem de Nhá Chica foi apresentada ao público, que aclamou a nova beata.

A imagem preserva a memória daquela que foi fiel testemunha do Evangelho de Deus. Lembrando a evidência de sua contemplação do mistério de Cristo em sua vida, especialmente através de sua devoção à Imaculada Conceição, na imagem de Nhá Chica o rosário foi colocado em sua mão. A outra mão estendida manifesta sua caridade aos pobres, marca forte em seu testemunho evangélico, bem como sua acolhida a todas as pessoas que a procuravam para aconselhamento.

 “Nhá Chica representa a grande fé do povo de Minas Gerais. Por isso ficamos muito felizes em termos entre nós, os conterrâneos, agora beata, tão querida e tão forte que é Nhá Chica. Este é um exemplo a ser seguido, exatamente em um momento em que as pessoas buscam na fé uma reflexão do próprio sentido da vida. Tenho a grande honra e oportunidade, como governador do Estado, de ser testemunha desse momento de fé do povo não só de Minas, mas de todo o Brasil. Devemos sempre pedir a proteção dela”, disse o governador Antonio Anastasia, devoto de Nhá Chica, presente na cerimônia.

O presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis, leu nota oficial em que relata a alegria da Igreja do Brasil em ter uma nova beata, nascida em solo mineiro. “O reconhecimento pela Igreja da santidade de Nhá Chica, passado pouco mais de cem anos de sua morte, confirma a importância de se colocar em relevo o exemplo de sua vida de fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho. A biografia de Nhá Chica revela sua vida de intimidade com Deus e nos estimula a buscar o ideal proposto por Cristo”, afirmou.

 Mobilização

 Mais de mil pessoas se envolveram na organização da cerimônia, entre voluntários e equipe de produção. Em torno de 300 policiais militares e quase 100 profissionais do Corpo de Bombeiros foram responsáveis pela segurança e suporte ao público. A Arquidiocese de Campanha, Governo de Minas, Prefeitura de Baependi e outras administrações municipais do Sul de Minas foram responsáveis pela estrutura oferecida aos fieis.

O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, representou a presidenta Dilma Rousseff. O anfitrião, prefeito de Baependi, Marcelo do Engenho, recebeu o presidente da ALMG, Dinis Pinheiro, secretários de Estado, deputados federais e estaduais, e outros prefeitos da região. 

 Alma mineira

 Nhá Chica reunia em sua alma a síntese da alma do mineiro: simples, trabalhador, agregador, altruísta. Filha de escravos, Francisca de Paula de Jesus, nasceu em 1808 na "Porteira dos Vilellas", fazenda de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, distrito distante cerca de 13 km de São João del Rei. Foi batizada em 26 de abril de 1810, na capela de Santo Antônio, onde se encontra a pia batismal na qual foi batizada. É a primeira mineira a ser beatificada.

Chegou ainda pequena em Baependi acompanhada por sua mãe e por seu irmão Teotônio. Com eles, poucos pertences e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Simples, chamava carinhosamente Nossa Senhora de "Minha Sinhá”.

Dava-se bem com pobres e ricos. Atendia a todos os que a procuravam. Sua fama de santidade foi se espalhando de tal modo que pessoas de muito longe começaram a visitar Baependi para conhecê-la, conversar com ela, falar-lhe de suas dores e necessidades e, sobretudo, para pedir-lhe orações.

Ao longo dos anos, a "Igrejinha de Nhá Chica", depois de ter passado por algumas reformas, é hoje o "Santuário Nossa Senhora da Conceição" que acolhe peregrinos de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Muitos fiéis que visitam o lugar pedem graças e oram com fé. Muitos voltam para agradecer e registram as graças recebidas. No "Registro de graças do Santuário", podem-se ler aproximadamente 20 mil graças alcançadas por intermédio de Nhá Chica.

Nhá Chica morreu com 87 anos de idade, no dia 14 de junho de 1895. A data ficará marcada a partir de agora pela Igreja Católica, como dia oficial da festa da Beata Nhá Chica. O processo para santificação continua a correr agora no Vaticano. Para ser canonizada, a Congregação para Causa dos Santos terá que reconhecer mais um milagre da nova beata.

 

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