Mercês Moura
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COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS
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As mudanças constantes no cenário mundial têm exigido das organizações um acompanhamento alinhado com as inovações tecnológicas surgidas no mercado. O investimento em capacitação e treinamento técnico tem sido o caminho para aquelas empresas e empregados que pretendem continuar sendo competitivos em uma sociedade que valoriza cada dia mais o capital intelectual.
 
Entretanto, observou-se também que só o investimento em capacitação técnica não tem sido suficiente para o alcance do aprendizado e o consequente resultado esperado para a organização. O investimento nas competências comportamentais passou a fazer parte deste pacote cognitivo, pois empresas são formadas por pessoas, com suas emoções e relacionamentos. As competências comportamentais quando bem administradas, levam os indivíduos à mudança de comportamento de uma forma mais conscientizada e assertiva, fazendo com que a passagem de um estágio de conhecimento para outro, não seja transitório e sim pautado na razão e emoção equilibrados.
 
Mas quais são as competências comportamentais mais valorizadas no mercado?
 
Segundo a jornalista Patrícia Bispo, em seu artigo publicado no site Rh.com sobre competências comportamentais mais valorizadas pelas empresas, foram destacadas as listadas na relação abaixo, que foi formulada a partir de entrevistas com profissionais de recursos humanos e gerentes de segmentos variados no mercado. São elas:
 
“1 - Trabalho em equipe: hoje não se cogita mais a individualidade nas organizações, e o profissional precisa lidar com seus pares para atingir e até mesmo superar metas, vencer desafios.
 
2 - Capacidade de negociação: dialogar com os demais colaboradores é fundamental para chegar a consensos diante de determinadas situações que impactam diretamente no clima organizacional e até no negócio da empresa em que se atua.
 
3 - Liderança: gerir pessoas tem sido um grande desafio para as empresas, afinal o líder é considerado o comandante do barco, que dá um norte à equipe e a direciona ao alcance de performance que atenda as necessidades da organização.
 
4 - Comunicação: é preciso saber expressar ideias, tirar dúvidas, apresentar soluções para fatos que ocorrem todos os dias. Se a pessoa não consegue vencer a barreira do "silêncio", agregará pouco ou valor algum à empresa.
 
5 - Criatividade / inovação: os profissionais devem estar preparados para lidar com situações inesperadas. Muitas vezes, arriscar, liberar o potencial criativo pode trazer benefícios tanto para o colaborador quanto para a organização. Uma inovação em um processo específico pode, por exemplo, significar uma grande economia para as finanças da empresa. Sair do automático, deixar de "ser uma máquina programada", leva pessoas a novas perspectivas.
 
6 - Prudência: apesar de ser muito valorizado no mercado, o potencial criativo não deve servir de "base" para a adoção de atitudes precipitadas. Por isso, pensar duas vezes, avaliar uma proposta e ouvir a opinião do colega de trabalho não é sinal de fraqueza, mas sim de responsabilidade.
 
7 - Flexibilidade: dizer um "não" à zona de conforto. Ser capaz de aceitar as mudanças, como também situações e comportamentos antagônicos que possibilitam o amadurecimento do profissional. Esse aprendizado pode, inclusive, ser aplicado na vida pessoal.
 
8 - Otimismo: é indispensável não se entregar diante do primeiro obstáculo que surge. O pessimismo afeta o colaborador e se não for trabalhado, pode ser absorvido por outros membros da equipe. Uma situação assim compromete o desempenho e compromete o clima organizacional.
 
9 - Assertividade: uma pessoa assertiva é hábil para expressar posicionamentos, ideias e até mesmo suas emoções. Ao ser assertivo, o indivíduo defende seus direitos e respeita os dos colegas. Aprende a dizer não, com argumentos que revelam profissionalismo. Através da assertividade é possível evitar conflitos desnecessários que geralmente afetam negativamente a rotina corporativa.
 
10 - Ética: uma empresa que deseja ser competitiva precisa contar com profissionais éticos e que valorizem a integridade. A ética é um dos pré-requisitos para a adoção da Responsabilidade Social nas organizações.
 
11 - Valorização da qualidade de vida: trabalhar, trabalhar, trabalhar e se tornar um workaholic (viciado no trabalho) é um indicador preocupante para as empresas. O profissional deve ter consciência de que a melhoria da qualidade de vida deve estar presente dentro e fora dos muros da companhia que atua.
 
12 - Visão holística: olhar para a organização e suas responsabilidades através de um contexto amplo, afinal não se concebe mais a possibilidade de um profissional ficar alheio ao que ocorre ao seu redor. Com a Tecnologia da Informação, o conhecimento é disseminado em uma velocidade cada vez maior.
 
13 - Compartilhamento de conhecimento: o profissional não deve temer a disseminação do conhecimento com seus pares. Cada vez que se transmite uma experiência, também se assimila algo, aprende-se com quem está ao seu lado. A recíproca também é verdadeira - quando não se domina um determinado assunto ou técnica, o profissional precisa buscar respostas com os pares.
 
14 - Autodesenvolvimento: para aprimorar suas competências, o colaborador não deve esperar apenas a iniciativa da organização. Ele também é responsável pelo seu desenvolvimento e precisa buscar ferramentas que agreguem valor como leituras de livros, revistas direcionados às suas atividades. O autodesenvolvimento não está atrelado apenas ao conhecimento técnico, pelo contrário. É aconselhável conhecer a si próprio e ler sobre os mais diversos assuntos, mesmo os que não estão ligados diretamente ao negócio da organização.
 
15 - Intuição: em determinadas situações, o colaborador precisa utilizar a intuição para desenvolver novas propostas que agreguem valor ao negócio. Essa competência faz parte dos processos mentais normais. Pode ser considerada como sendo a percepção que o indivíduo tem frente a uma determinada situação, sem a utilização do raciocínio lógico. Através da intuição pode-se adquirir e colocar em prática conhecimentos e informações.”
 
A indicação destas competências serve como base para uma autoavaliação e identificação de como estamos agindo frente a estas habilidades. Após o diagnóstico fica mais fácil investir na mudança de comportamento, com foco em melhorias tanto no campo profissional quanto no pessoal.
 
Muitas empresas já trabalham com avaliações de desempenho baseadas em competências, e estas competências são cuidadosamente selecionadas com base nos valores, crenças e estratégia da organização. A vantagem deste processo está na possibilidade de crescimento profissional do empregado, que tem a possibilidade de utilizar o instrumento como ferramenta de gestão de carreira.
 
As empresas por sua vez lucram por ter no seu quadro, empregados capacitados e acostumados a processos que requerem planejamento, flexibilidade e mudança constante em busca de melhores resultados, além de conseguirem manter os seus talentos internos na organização.
 
 
Maria Mercês Moura Andrade - agosto 2010
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